O cómico que gosta do drama faz hoje 80 anos

Woody Allen começou a escrever textos cómicos na adolescência e hoje é um dos nomes mais populares do cinema mundial

No liceu, Allan Stewart Königsberg foi um bom aluno, embora não muito preocupado com as notas. Em boa verdade, era mais conhecido pelos seus dotes como jogador de basebol. Dir-se-ia que cultivava o paradoxo, de tal modo que, por volta dos 15 anos, começou a escrever textos cómicos. Quando se atreveu a enviar alguns exemplos para diversos agentes e atores da Broadway, o seu talento foi logo reconhecido. E começou a receber encomendas, acabando por ser contratado, ainda antes de completar 20 anos, para a equipa de argumentistas do programa The NBC Comedy Hour, em Los Angeles. Algures, obcecado pelo valor das coisas simples e diretas, tinha começado a assinar como Woody Allen - faz hoje 80 anos e não será exagero dizermos que é uma lenda viva.

Nasceu a 1 de dezembro de 1935. Em Nova Iorque, claro, como bem sabemos pelo modo como a grande metrópole aparece e se transfigura nos seus filmes como uma verdadeira personagem. Na nossa mitologia americana, Manhattan é tanto um lugar como o título de um dos seus filmes mais célebres (lançado em 1979).

Seja como for, o calendário atrai também uma paradoxal ironia. Porque Woody Allen pode ser um respeitável octogenário, mas continuamos a acolhê-lo como alguém que conservou uma certa rebeldia adolescente. Não exatamente à maneira agreste de um James Dean (a comparação, repare-se, não tem nada de especulativo, já que o ator de A Leste do Paraíso e Fúria de Viver, nascido em 1931, pertencia à mesma geração de Woody Allen, essa que arquitetou a sua identidade sob o signo da herança política e simbólica da Segunda Guerra Mundial). Ele é antes o eterno, enigmático e sedutor protagonista de uma história pessoalíssima, por ele escrita, mas à qual não quer atribuir demasiado valor metafórico: "Não quero conquistar a imortalidade através do meu trabalho. Quero conquistá-la não morrendo."

Aliás, esta frase, por certo das mais conhecidas do seu autor, nem sempre é citada na íntegra, de modo a que possamos reconhecer o seu risonho pragmatismo: "Não quero viver no coração dos meus compatriotas, quero viver no meu apartamento."

Leia mais na edição impressa ou no e-paper do DN

Exclusivos