Nuno Júdice: "Uma péssima notícia para a nossa cultura"

O poeta Nuno Júdice lamentou hoje a morte de Vasco Graça Moura, que classificou como "uma enorme perda" para a cultura portuguesa, sublinhando que o autor deixa "uma obra considerável".

"É uma notícia muito triste, sabia que ele estava numa situação muito grave e que tinha voltado a ser internado, mas a morte de uma pessoa como o Vasco Graça Moura é uma enorme perda", disse à Lusa o poeta, que, em janeiro, organizou uma homenagem ao autor de "Quatro últimas canções", na Fundação Calouste Gulbenkian.

Nuno Júdice referiu-se a Graça Moura primeiro como amigo e companheiro de "muitas situações literárias, de há muito tempo" e, depois, como "uma pessoa com uma enorme energia".

"Penso que aquilo que o fez sobreviver durante tanto tempo foi ter-se dedicado inteiramente ao seu trabalho no Centro Cultural de Belém e também à escrita dos seus textos", declarou o diretor da Colóquio Letras, da Fundação Gulbenkian.

"Quando penso na poesia portuguesa, julgo que é uma obra considerável e daquelas que irá ficar. Vê-la interrompida desta maneira é sempre uma péssima notícia para a nossa cultura", afirmou Nuno Júdice.

O escritor e tradutor Vasco Graça Moura, de 72 anos, morreu ao fim da manhã de hoje em Lisboa, disse à agência Lusa fonte do Centro Cultural de Belém (CCB).

Poeta, ensaísta, romancista, dramaturgo, cronista e tradutor de clássicos, Vasco Graça Moura estreou-se nas letras com "Modo mudando", em 1962. Publicou, entre outros, "A sombra das figuras" (1985), "A furiosa paixão pelo tangível" (1987), "Testamento de VGM" (2001) e "Os nossos tristes assuntos" (2006). Reuniu a "Poesia toda", em dois volumes num total de mais de mil páginas, em 2012.

Recebeu o Prémio Pessoa e o Prémio Vergílio Ferreira, os prémios de Poesia do PEN Clube Português e da Associação Portuguesa de Escritores, que também lhe atribuiu o Grande Prémio de Romance e Novela, entre outras distinções.

Foi diretor do Serviço de Bibliotecas e Apoio à Leitura da Fundação Calouste Gulbenkian, diretor da Fundação Casa de Mateus, presidente da Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses.

Em janeiro de 2012, substituiu António Mega Ferreira na presidência da Fundação Centro Cultural de Belém.

Era uma das vozes mais críticas do acordo ortográfico.

Na homenagem que a Fundação Gulbenkian lhe dedicou, não hesitou em afirmar: "A poesia é a minha forma verbal de estar no mundo".

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