"Nunca pareceu que estávamos a fazer um documentário sobre uma época"

A atriz britânica regressa com um momento marcante da história. As Sufragistas estreia na quinta-feira

Imagino que não estava a pensar: "Tenho de fazer outro filme de época!" O que é que a atraiu particularmente em As Sufragistas e o que a levou a interessar-se pelo papel de Maud?

Tem razão. Não estava decidida a fazer um filme histórico. A verdade é que não fazia ideia daquilo por que estas mulheres passaram. Percebi isso ao ler o argumento de Abi Morgan e ao passar algum tempo com [a realizadora] Sarah Gavron. Fiquei muito entusiasmada com a ideia de contar esta história a um público que não tinha um verdadeiro conhecimento do assunto. Foi a ideia de que aquele momento importantíssimo aconteceu na nossa história e na história britânica dos direitos humanos e de que nós nunca falámos verdadeiramente sobre o assunto ou fizemos um filme sobre ele. Portanto, achei que era uma oportunidade extraordinária fazer parte de um filme histórico destes.

Maud é realmente o exemplo da mulher comum? Em vez de uma personagem icónica e famosa é através de uma mulher normal que vemos o que foi toda aquela luta.

Exatamente. Temos tanta coisa escrita pelas classes média e alta dessa época e tão pouca escrita pelas classes trabalhadoras. Houve uma grande luta durante o movimento sufragista, mas as mulheres da classe trabalhadora tinham decididamente muito mais a perder no que respeitava aos seus relacionamentos e ao seu trabalho, à sua posição social e, até, às relações delas com os filhos. Assim, ver tudo aquilo pelos olhos de uma mulher comum - e uma mulher que começa o filme completamente desinteressada da política e do movimento sufragista -, uma mulher vitoriana convencional que se torna radical, foi muito entusiasmante.

É um salto muito corajoso o que uma mulher dessas terá tido de dar, porque as mulheres privilegiadas e com dinheiro podiam ser um pouco mais independentes, mas uma mulher como Maud terá sido educada para pensar que tinha um lugar no mundo e que tinha de se manter nele.

É verdade. E a reputação era tudo. A reputação para as classes trabalhadoras era a diferença entre a vida e a morte. Manter-se respeitável era uma enorme parte da vida e da educação delas. Na época era amplamente aceite que o homem estava encarregado de manter a casa e tinha um estatuto social superior ao da mulher, e que devia ser respeitado e obedecido. A ideia da igualdade entre o homem e a mulher era relativamente recente. E muitas mulheres discordavam totalmente dessa ideia.

Leia mais na edição impressa ou no e-paper do DN

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG