Músicas do Mundo dão à costa em Porto Covo

Antes de rumar a Sines, o festival presenteia turistas e habitantes com uns aperitivos saborosos. E gratuitos

Dá-se neste fim de semana a coincidência de coexistirem dois festivais - embora separados por 500 quilómetros - fora das grandes cidades, com propostas musicais com grande diversidade e qualidade. E, cúmulo dos cúmulos, com entrada livre. Falamos do Festival Músicas do Mundo, a iniciar na sexta-feira a 19.ª edição, e a segunda edição do Festival Mimo, em Amarante (de que daremos conta a seu tempo).

"O lugar de Porto Covo", como ficou imortalizado na letra de Carlos Tê cantada por Rui Veloso, foi aposta retomada em 2014 pela organização do Festival Músicas do Mundo (FMM), após quatro edições de interregno. É uma espécie de aperitivo para o que se segue em Sines, em especial a partir de quarta-feira, 26, quando os concertos no castelo e na Avenida Vasco da Gama juntarem milhares de pessoas em volta de alguma da música mais estimulante. O nigeriano Orlando Julius, o francês Thomas de Pourquery, a maliana Oumou Sangaré, o brasileiro Emicida ou os colombianos Romperayo são disso exemplos.

Em Porto Covo, a viagem começa, não por acaso, com a guitarra portuguesa. O mestre António Chainho, cuja terra natal São Francisco da Serra dista 40 quilómetros, e o fadista sineense André Baptista vão partilhar o palco num concerto duplo e pleno de significado.

Em 2014, Mohammad Reza Mortazavi deixou o público de Sines algures entre o atónito e o encantado. É só ele e duas percussões típicas do Irão, o daf e o tonbak -- e dito assim parece curto, mas é um exemplo perfeito de one man show (em modo discreto). Os céticos que tirem as teimas sexta à noite. Da Europa viajámos para o Oriente e daqui prosseguimos para os Estados Unidos com uma paragem no Haiti: Leyla McCalla é filha de pais haitianos e, através da voz, do violoncelo e do banjo, foi à procura das suas raízes. A noite de sexta-feira termina em tom de festa - pelo menos uma festa à moda de Bareto, um grupo peruano que mistura uma série de ritmos e de estilos com letras afiadas.

Seria caso para dizer que o grupo chinês Mbang destoa da programação de sábado - isto se alguma proposta num festival deste género pudesse estar deslocado (exceto a qualidade). O grupo oriundo do sudoeste da China traz a Porto Covo sonoridades folk-rock. Mas antes dá-se uma espécie de festival da canção lusófona, com os moçambicanos Costa Neto & João Afonso, os brasileiros Gustavito & A Bicicleta e o angolano Waldemar Bastos (um regresso ao FMM).

No domingo, a lusodescendente Nessi Gomes e a sua folk britânica faz a ligação (simbólica) a uma noite de grande ecletismo, que começa no jazz do sírio Basel Rajoub, passa pela música europeia e latino-americana da Orquestra Latinidades e termina com o doo-wop das sul-coreanas Barberettes.

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