Uma garrafa de vinho, várias guitarras e Eddie Vedder

O cantor atuou durante mais de duas horas na noite passada, no festival do Sudoeste, perante 32 mil pessoas. A maioria delas não o viu quando apareceu de surpresa, por volta das 20h30.

Eddie Vedder surpreendeu tudo e todos quando subiu ao palco do festival do Sudoeste algumas horas antes do previsto para cantar um tema com Glen Hansard. Com concerto agendado para a meia noite e meia, o cantor brindou os poucos que decidiram aparecer ao início da noite para ver a atuação do irlandês. Vedde subiu ao palco para cantar uma música de Bruce Springsteen, "Drive all Night".

Eddie Vedder e Glen Hansard (que também é ator e até já ganhou um Oscar, em 2006, para melhor música original, pelo filme "No Mesmo Tom) conhecem-se bem, uma vez que o irlandês fez a digressão europeia do vocalista dos Pearl Jam para apresentação do disco "Ukelele Songs". "É um grande amigo e colega de estrada", afirmou horas depois, já na recta final do seu concerto a solo, quando o chamou para uma espécie de desgarrada musical em "Society", "Falling Slowly (de Glen Hansard) e "Sleppless Nights".

O concerto poderia ter ficado por aqui, mas Eddie Vedder decidiu prosseguir. A certa altura ficou sem som, mas continuou a tocar e a cantar como se nada tivesse acontecido e ainda interpretou "Hard Sun" e pediu ajuda para o Ribeira Surf Camp, em risco de ser expropriado.

Para trás estava um espetáculo a solo, em que, apenas apoiado no ukelele, nas guitarras, ora acústicas, ora elétricas, e no som do bater do pé no estrado de madeira, conseguiu imprimir ritmo. Isso e a ajuda de sucessos dos Pearl Jam, como "Soon Forget", "Better Man"ou "Best Kiss".

Pelo meio, uns goles de vinho do Alentejo e umas frases em português, que leu de uma extensa, cábula. "Nunca toquei para tanta gente sozinho. Com vocês aqui não me sinto sozinho", afirmou logo no início, quando também admitiu que o seu português era "uma bela merda". Sozinho não estava, de facto. O Festival do Sudoeste teve, finalmente, uma plateia composta: 32 mil pessoas, diz a organização.

A noite começou, como sempre, quando o sol se punha e, uma vez mais , o recinto estava praticamente vazio (apesar de às 17h00 já haver uma dúzia de fanáticos encostados à grade para ficarem na primeira fila). Depois de Glen Hansard, cuja simplicidade conquistou o público mas que se chegou a chatear por causa de um helicóptero que insistia em perturbar, veio o português Richie Campbell, num regresso ao Sudoeste. O cantor contou com a participação especial da jamaicana Ikaya.

Finda a energia contagiante de Richie Campbell, veio o romantismo de James Morrison, também ele de regresso à Zambujeira do Mar, onde esteve há dois anos.

A fechar a noite, a energia de Example.

Hoje, o palco principal recebe Calle 13, The Ting Things, Xutos & Pontapés, The Roots e GorillazSound System.

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