Um concerto "muito especial" de Gisela João

Num festival que conta com tantos artistas de diferentes nacionalidades, era uma portuguesa que mais expetativa criava. Gisela João, uma das grandes vozes da nova geração do fado, subiu ao palco do Castelo e arrebatou todos os presentes com a sua voz e a emoção com que interpreta cada tema.

"Foi um concerto mesmo especial", confessou a fadista, muito satisfeita com o espetáculo e a receptividade do público. Admitiu ainda que "há muito que queria estar no Festival Músicas do Mundo (FMM)". "Aqui é sempre um clima de festa. Gosto do público e senti que me estavam a acompanhar." Os próximos compromissos obrigaram Gisela João a abandonar Sines praticamente logo a seguir o espetáculo, mas se pudesse "ficava cá".

O penúltimo dia do FMM começou com outro português. Júlio Pereira e o seu cavaquinho são sempre bem recebidos e em Sines não foi diferente. Na Avenida da Praia, Mohammad Reza Mortazavi, do Irão, mostrou todo o seu virtuosismo como percurssionista. De regresso ao Castelo, depois de Gisela João, subiu ao palco Tigran. Natural da Arménia vive há 11 anos em Los Angeles, mas nos seus temas deixa transparecer as influências da música tradicional do seu país, mas a componente jazz (principalmente na improvisação) é fortíssima quando toca o piano.

O músico de Trinidad e Tobago, mas que há muito que vive no Reino Unido, Anthony Joseph, encerrou os espetáculos no Castelo. Já editou livros de poesia e um romance e na música "Time" foi o seu quinto álbum, editado este ano. Destaque para um dos temas dedicados a Malala Yousafzai, jovem paquistanesa baleada na cabeça quando tinha 12 anos por defender o direito das raparigas irem à escola e que é hoje uma reconhecida ativista. "Se tivermos mais crianças como a Malala nós [mundo] vamos ficar bem", disse Anthony Joseph, que tocou no FMM pela segunda vez.

Depois foi altura de regressar à Avenida da Praia para mais um dos destaques da noite. O reggae de Mó Kalamity & The Wizards trouxe à noite de Sines um encanto mais intimista. Mó Kalamity nasceu em Cabo Verde e vive atualmente em Paris e em 2013 editou o seu terceiro álbum "Freedom of the Soul", que foi apresentado em Sines.

E para acabar a noite estava programada a música eletrónica com origem na Sérvia. ShazaLaKazoo são Milan Djuric e Uros Petkovic, que misturam estilos latinos, com africanos e Médio Oriente, ou seja, para dançar até quase o sol nascer.

E hoje chega ao fim a 16.ª edição do FMM. Os portugueses The Soaked Lamb iniciam os espetáculos no Castelo às 19.00. Às 20.15, na Avenida da Praia, sobem ao palco os Smadj "Fuck The DJ". Novamente no Castelo, do Mali e Cuba chegam Fatoumata Diawara e Roberto Fonseca (21.45), seguindo-se um dos principais nomes do festival de Sines: Angélique Kidjo, do Benim (23.15). E para continuar com uma noite que promete ser bem longa, os Balkan Beat Box (com elementos norte-americanos e israelitas) vão encerrar os concertos no Castelo (00.45). Da Tanzânia chegam os Jagwa Music (02.45 na Avenida da Praia). E caberá aos Acid Arab encerrar esta edição do FMM (04.15) com muita música para dançar.

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