Três horas para celebrar 30 anos de Xutos

O Estádio do Restelo, em Lisboa,  estava quase cheio na sexta-feira à noite para  o grande concerto dos Xutos & Pontapés.  Camané e Pacman cantaram à sua maneira.  Zé Pedro apelou ao voto. E os fãs deliraram

Estava nervoso o fadista quando entrou no palco e enfrentou o Estádio do Restelo cheio de fãs dos Xutos & Pontapés, fãs de T-shirt negras e lenços enrolados nos pulsos, fãs que conhecem as músicas ao primeiro acorde e que sabem do cor os alinhamentos dos discos e dos muitos concertos a que já assistiram. Estava nervoso o fadista mas não deixou que os nervos interferissem na voz. Interpretou O Homem do Leme perante o sorriso babado dos Xutos, todos a tocar sentados à sua volta. E, no final, além dos aplausos e dos abraços ouviu ainda aquelas cerca de 35 mil pessoas gritarem o seu nome, Camané, Camané, Camané.

Isto foi a meio da noite. Para trás tinham ficado as actuações dos Pontos Negros e dos Tara Perdida, enquanto uma multidão composta por gente de todas as idades e de todos os estilos desesperava nas longas filas para entrar no estádio. "Não se preocupem, eles não começam enquanto houver pessoas cá fora", avisavam os seguranças.

As luzes apagaram-se já depois das 22.30, mas não entrou ninguém no palco. Em vez disso, os ecrãs mostraram os cinco Xutos dentro de um carro e depois a chegar ao estádio, a descerem pela bancada e a atravessarem todo o relvado, rodeados por seguranças que não conseguiram (nem queriam) impedir os abraços roubados aos músicos - eles, na boa, como se estivessem entre família. O grupo tomou o seu lugar sem pressas para interpretar Quem é Quem e dar assim início a um concerto que, como prometido, durou quase três horas e percorreu toda a carreira da banda.

Os Xutos tinham anunciado uma grande produção e não defraudaram. Palco, vídeo, som, luzes, lança-chamas e fogo-de --artifício dignos da maior banda portuguesa. E houve tempo para tudo. Para cantar "a primeira história de amor" (Conta--me Histórias). Para uma secção acústica num palco elevado a meio do relvado. Para uma sequência de luxo, sempre abrir, com Circo de Feras, Dá Um Mergulho no Mar, Chuva Dissolvente, À Minha Maneira e Contentores, a fechar o primeira parte, antes dos dois encores. Na véspera das eleições, Kalu veio ao microfone cantar, com toda a gente, Sem Eira nem Beira e Zé Pedro pediu aos fãs para não terem "medo do futuro" e irem votar: "Não deixem que os outros decidam por vocês, façam a vossa escolha." Pacman apareceu a cantar uma versão muito sua de O Sangue da Cidade, o baixista Pedro Gonçalves e o teclista Manuel Paulo deram o contributo em vários temas.

Visivelmente felizes, os Xutos agradeceram ao público (quantas vezes disseram eles obrigado, alguém contou?), à equipa e às suas "apaixonadas" e, apesar de cansados, parecia que não se queriam ir embora. Terminado À Minha Maneira, com toda a gente a cantar, como sempre, Tim, com um "X" gravado entre os cabelos, olha para o estádio embevecido: "Pessoal, depois disto pouco me resta. Só continuar a tocar." Por mais 30 anos, pelo menos.

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