"Tinha de vir. Eles não vão durar muito mais"

Entre as 90 mil pessoas que estão no Parque da Bela Vista é difícil encontrar sub-18. Mas eles existem. Três adolescentes que fizeram questão de ir ver Mick Jagger e Keith Richards ao vivo.

"Tinha mesmo de vir. Eles não vão durar muito mais", diz o rapaz, de 16 anos, ao DN. As notícias sobre o fim da banda têm sido claramente exageradas. Em 1990, quando a banda inglesa atuou em Alvalade pela primeira Lisboa, já os Rolling Stones eram os "dinossauros do rock". A namorada concorda que tinham mesmo de ver como era e a amiga que está com eles conta que só veio à Bela Vista porque os pais lhe ofereceram o bilhete. "Eles andam por aí". "Satisfaction", "Brown Sugar" e "Start me up" eram as canções que mais esperavam ouvir. O concerto arrancou com quase 15 minutos de atraso (estava marcado para as 23.45). Um sol laranja apareceu no ecrã e milhares de luzes ergueram-se no céu pontuadas por luzes brancas dos flashes de telemóveis. Keith Richards foi o primeiro a surgir nos ecrãs gigantes do Parque da Bela Vista. Para muitos, as televisões gigantes foram a única maneira de ver o concerto. Jagger cantou dois temas -- Jumpin' Jack Flash' e 'It's Only Rock 'n Roll (But I Like It)' -- antes de cumprimentar a multidão: "Olá, Lisboa. Olá, Portugal. É bom estar de volta. Não sei mais português". A muitos metros de distância do Palco Mundo, um grupo fazia a festa enquanto esperava a chegada do concerto, diretamente a ilha do Pico, nos Açores. "São os Rolling Stones. Nem se pergunta...", diz Vanessa Moreira, 25 anos, administrativa. "Informei o meu patrão que ia de férias assim que soube que os Stones vinham a Portugal". "Há aí montes de pessoal dos Açores", acrescenta uma amiga lisboa a viver no arquipélago. Até às 23.00 tinham entrada 86 mil pessoas no Parque da Bela Vista, segundo a organização, e eram esperadas 90 mil. Os bilhetes esgotaram há dez dias, mas a noite mais concorrida não significou mais ocorrências polícias. "Tudo calmo", disse fonte da polícia ao DN. Para os vendedores de cerveja que andam pelo recinto com um barril às costas e copos de plástico prontos a saciar a sede dos espectadores, os Rolling Stones são bons para o negócio. "Já vou no quinto barril e um dos meus colegas já vendeu nove. Muito melhor do que no domingo", diz, referindo-se ao primeiro dia do festival, e deixando a conversa a meio para atender mais dois clientes. Cinco cervejas, a dois euros cada uma. E o concerto ainda nem tinha começado...

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