Sudoeste está ser registado para mais tarde recordar

Em 2011 o festival Sudoeste, na Zambujeira do Mar, vai celebrar 15 anos e muitas das histórias em torno do evento estão a ser registadas por uma jornalista e um argumentista, para mais tarde recordar.

Catarina Neves, jornalista, e Alexandre Monteiro, argumentista, estão na Zambujeira do Mar para escutar, observar e registar mais uma vez o que se passa num dos mais importantes festivais de música em Portugal e que colocou no mapa musical a localidade da costa alentejana.

O objectivo é preparar um livro que conte a história e as histórias do Sudoeste desde que aconteceu pela primeira vez em 1997 num longo terreno descampado e próximo da praia da Zambujeira do Mar, explicou Catarina Neves à agência Lusa.

'Achamos que é um festival que marca uma geração, numa zona onde há 15 anos chegava muito pouca ou nenhuma música, muito menos bandas internacionais, e mudou a maneira de estar e de viver da população local, trouxe muita gente à costa vicentina', sublinhou.

A edição do livro deverá acontecer em 2011, quando se assinalarem os 15 anos do festival, mas os dois autores ponderam ainda fazer um DVD, caso consigam reunir apoios para tal, já que este é um projecto independente, sem ligação direta à organização do Sudoeste, a produtora Música no Coração.

Em 15 anos, somam-se muitas histórias e depoimentos de quem viveu e vive de perto o festival, desde o espetador que acampa até ao agricultor alentejano, ao médico que está no recinto, aos jornalistas e músicos que por lá passaram.

'A intenção é tentar encontrar os principais personagens por detrás de toda a organização do festival' e perceber o 'impacto sociológico e antropológico aqui na zona', referiu Alexandre Monteiro.

'Quando se está aqui percebe-se que há uma maneira de estar muito própria e que de alguma maneira é um bocadinho ritualística', descreveu Catarina Neves, que esteve, em conjunto com Alexandre Monteiro, em quase todas as edições do Sudoeste.

O primeiro festival aconteceu em 1997 e tinha no cartaz nomes como Blur, Suede, dEUS, Rio Grande, Xutos & Pontapés e Blasted Mechanism.

Ao longo dos anos o festival foi crescendo em espaço e melhorando as infraestruturas, tendo em conta que se ergueu num local onde só há terra, vegetação rasteira e pinheiros.

Por lá passaram centenas de bandas portuguesas e estrangeiras, embora Catarina Neves e Alexandre Monteiro se fixem numa actuação que dizem ter sido decisiva para o festival: o concerto dos Portishead em 1998, o primeiro do grupo em Portugal.

'A actuação dos Portishead é a principal razão para ter vindo ao festival', reconheceu a jornalista.

'Nunca pensei chegar aos quinze anos', admitiu à agência Lusa o promotor Luís Montez, que investiu no mais emblemático dos festivais de verão, ponto de passagem obrigatório para os espectadores a rondar os vinte anos que, em tempo de férias, procuram sol, praia e música.

Com a 14ª edição a decorrer na Herdade da Casa Branca, Luís Montez ainda não pensa em 2011, mas adiantou que 'quinze anos têm que ser comemorados de uma maneira única'.

Veja o vídeo: uma reportagem sobre o a primeira edição do Sudoeste (1997)

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