Sérgio Godinho, Luísa Sobral e Batida no Live II

Sérgio Godinho, Luísa Sobral e Batida juntam-se na terça-feira em Lisboa, num espetáculo promovido pela Amnistia Internacional Portugal, para recordar a Declaração Universal dos Direitos Humanos, publicada há 65 anos.

O espetáculo "Live Freedom II", no Teatro Tivoli, acontece no Dia Internacional dos Direitos Humanos e, além da atuação dos dois músicos e do projeto luso-angolano Batida, incluirá a divulgação da "Maratona de Cartas", uma campanha que consiste no envio significativo de cartas em defesa de vítimas de violação dos Direitos Humanos.
Pedro Coquenão, mentor de Batida, afirmou à agência Lusa que, se pudesse, propunha "uma carta aberta ao presidente de Angola e a todos os cúmplices nacionais. Estaria sempre actual".
A esta carta juntaria ainda "a carta que Durão Barroso declinou escrever" sobre o angolano Manuel Nito Alves, de 17 anos, detido em setembro por ter encomendado a impressão de camisolas em que apelidava o Presidente angolano José Eduardo dos Santos de "ditador nojento".
O músico propunha também "uma carta para substituir o voto reprovado pela monstruosa maioria da Assembleia da República portuguesa, excepto por uns raros deputados socialistas e pelo partido proponente, o Bloco de Esquerda, condenando, entre outros casos, a morte de Cassule e Kamulingue, dois jovens que pretendiam organizar uma manifestação, ou a recente morte de Manuel Ganga, por colar cartazes que denunciavam esta situação".
Pedro Coquenão considera que o seu compromisso enquanto músico e "cidadão comum" é ser livre, fazer o que gosta por convicção e partilhar com os outros: "Nuns casos isso implica reagir, provocar, denunciar de forma mais ou menos objectiva. Noutros não. A liberdade na sua forma de se exprimir é, para mim, o maior papel de um artista. É político que chegue".
Sérgio Godinho, membro da Amnistia Internacional Portugal, disse à Lusa que aceitou participar no espetáculo por considerar que a organização trabalha com temas que lhe são sensíveis, como a injustiça e a intolerância.
Na Maratona de Cartas, o músico dá a cara pelo jornalista etíope Eskinder Nega, condenado a 18 anos de prisão por criticar o governo e pedir que a liberdade de expressão seja respeitada no seu país: "É um um homem de grande coragem, de afrontar o regime e de não se demitir apesar das perseguições".
Em 2012, aquela iniciativa contou com o envio de mais de 42.800 cartas de Portugal.
Para Sérgio Godinho, os portugueses não se podem preocupar só com os seus problemas: "Fazemos parte do mundo e temos gente injustiçada e muito perseguida em todo o mundo. Se não olharmos também para fora, não podemms olhar para nós próprios".
Luísa Sobral apadrinhará o caso do ativista bielorusso pelos direitos LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e transgéneros) Ihar Tsikchanyuk, que foi agredido por polícias, apenas por ser homossexual.
"Na verdade, todas as histórias me tocaram, mas esta em particular, porque acho que não se fala o suficiente sobre estas coisas que ainda acontecem. Não se pode amar quem quer", afirmou a cantora à agência Lusa, revelando que, para o espetáculo de terça-feira, está a preparar um alinhamento apropriado à temática dos Direitos Humanos.
A apresentação do "Live Freedom II" ficará por conta dos humoristas Nuno Markl e Vasco Palmeirim.

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