Samuel Úria é um homem desiludido com a humanidade

O cantautor regressa com 'O Grande Medo do Pequeno Mundo', no qual colaboram Manel Cruz, António Zambujo, entre outros.

Já passaram mais de três anos desde que Samuel Úria lançou Nem Lhe Tocava, o seu primeiro álbum com edição comercial. Entretanto deixou as aulas de Educação Visual para se dedicar por completo à música. E agora regressa com O Grande Medo do Pequeno Mundo, para o qual convidou Manel Cruz, António Zambujo, Miguel Araújo, Márcia, Gonçalo Gonçalves e Jorge Rivotti.

Apesar de não ser derrotista, este é um álbum que reflete uma clara desilusão: "É uma visão desapontada com a humanidade e um desses aspetos tem que ver com os medos, não que tenham de ser justificados, mas porque às vezes as maneiras de os combater e as maneiras que o homem arranjou para se emancipar desses medos não são as mais corretas ou as mais eficazes. O que causa esse desapontamento tem que ver com a noção que a humanidade tem de si própria como a medida de todas as coisas. E essa conquista é legítima, mas quando a humanidade é a medida de si própria, os medos como são superiores, se nos dominam de alguma forma, acabam por tornar a nossa existência um pouco mais claustrofóbica, tornando o mundo mais pequeno", explicou Samuel Úria ao DN.

O impasse que esse desapontamento cria acaba por ser a motivação para compor canções: "Estou desiludido e ao mesmo tempo apercebo-me de que não há muita coisa que possa fazer. Mas também não quero ser derrotista nessa equação, nem estar impávido ou ser neutro. Todas estas coisas, que são antagónicas, criam um impasse, o que é sempre bom para compor canções", referiu.

Ainda assim, é na música que agora aposta, uma vez que deixou de ser professor. O próprio conta: "De repente tive um laivo de responsabilidade que se apoderou de mim e achei que não estava a ser um bom professor. Viver da música, por vezes, pode ser incerto, mas como o ensino está hoje em dia não sei se foi uma aposta assim tão arriscada."

O facto de ter convidado várias vozes para colaborarem consigo já fez que lhe tenham dito que o álbum "é do género Sinatra convida": "Quando no fundo o espírito é muito semelhante aos discos anteriores da FlorCaveira, que é malta amiga a cantar. No fundo é como estar a mostrar os meus amigos novos aos amigos velhos, para no final se conhecerem todos e ficarmos todos amigos."

E depois de vários atrasos no seu lançamento, Samuel Úria regressa assim com O Grande Medo do Pequeno Mundo.

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