Rescaldo aposta na música transversal até dia 16

Festival apresenta na edição deste ano 13 concertos, uma exposição de ilustração, dois lançamentos de discos e um 'DJ set' entre a Culturgest e a Trem Azul.

Habitualmente nos escaparates das lojas de discos, nos festivais, as músicas estão compartimentadas em gavetas que as definem ao pormenor. Mas ainda resistem aqueles que tentam criar uma música que não é facilmente catalogável, e é isso que une os vários nomes que integram o programa do Festival Rescaldo deste ano. Começa amanhã na Trem Azul, segue depois para a Culturgest e termina no próximo dia 16.

"Achamos que uma das riquezas de hoje em dia é a facilidade com que os músicos atravessam géneros, e nós, por vezes, atravessamos a dificuldade que é a de programar alguma coisa que não é catalogável. Mas esta música difícil de catalogar, esta música moderna portuguesa, é também a mais vital que neste momento se está a fazer em Portugal", explicou Pedro Costa, da Trem Azul.

Entre a noite de amanhã e o próximo dia 16, o Festival Rescaldo apresentará propostas que vão da eletrónica à música contemporânea, passando ainda pelo jazz e pelo rock. E, além dos concertos, terá ainda uma exposição de ilustração de Zé Burnay, um DJ set e dois lançamentos de discos.

Se a maioria dos nomes que integram a programação do Rescaldo são artistas emergentes, no dia 15 o festival receberá na Culturgest aquele que é um dos grupos incontornáveis da música nacional: Pop Dell" Arte. "Não parece ser uma escolha óbvia, mas é um grande prazer conseguir ter os Pop Dell" Arte. Eles representam este fervilhar de criatividade na música portuguesa. Com a editora Ama Romanta desbravaram os caminhos da criatividade e da música exploratória e, por isso, isto é quase uma homenagem ao que fizeram enquanto dinamizadores desta música", disse Travassos, comissário do Rescaldo.

Mas até esse concerto, vários outros nomes vão marcar presença no festival. Amanhã, a abertura do certame, na Trem Azul, estará a cargo dos Go Suck a Fuck e Albatre. Os primeiros nasceram no seio da editora Cafetra Records, definida pelo comissário como "um grupo de jovens músicos muito dinâmicos, cheios de ideias e sem quaisquer preconceitos em relação à música". Já os Albatre, que vão também lançar um disco pela Shhpuma Records (que nasceu com o festival), "praticam uma música entre o free jazz e o rock".

Esta sexta-feira, o festival inicia-se no palco da Culturgest com Diamond Gloss - "que está entre Arvo Pärt e uns Sigur Rós" - e o guitarrista Filho da Mãe. "Estou feliz por músicos como o Filho da Mãe terem este sucesso, porque é uma música sem voz, acústica e, por isso, difícil de singrar", lembrou Travassos.

Já no sábado a Culturgest receberá o pianista Bruno Béu e o projeto Almost A Song, da também pianista Joana Sá com Luís José Martins (Deolinda), e que vão apresentar o disco de estreia pela Shhpuma Records.

O programa retoma no dia 14, novamente na Culturgest, com Radial Chao Opera - "que fazem parte de uma comunidade que muito tem feito pela música criativa do Porto" - e Rodrigo Amado Hurricane, projeto que une o saxofonista a DJ Ride e a Gabriel Ferrandini.

Um dia depois, além dos Pop Dell" Arte, o festival receberá os Tropa Macaca. A música vai também sair por momentos do auditório com a atuação do giradisquista Pedro Lopes, que vai tocar na cafetaria da Culturgest. "É importante tirar a conotação de formalidade associada aos concertos", lembrou Travassos.

O Rescaldo terminará no dia 16 na Trem Azul com atuações de Luís Lopes, dos Black Bombaim, e ainda de Flak (Rádio Macau) em formato DJ set.

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