Queens of the Stone Age, uma grande família rock'n'roll

O grupo é hoje cabeça de cartaz do Rock in Rio-Lisboa, juntamente com os Linkin Park. O baixista Michael Shuman falou antes do concerto com o DN.

Quando Josh Homme decidiu formar os Queens of the Stone Age, em 1996, depois da separação dos Kyuss, Michael Shuman contava apenas 11 anos. Mal imaginava o jovem que mais de uma década depois viria ele mesmo a fazer parte de uma banda que também acompanhou o seu crescimento. O baixista regressará a Portugal com os Queens of the Stone Age no Rock in Rio-Lisboa, no próximo dia 30, com o álbum ...Like Clockwork ainda na bagagem.

"Nunca na vida me passou pela cabeça que, um dia, iria fazer parte deles. Juntei-me à banda tinha então pouco mais de 20 anos, e posso dizer que, de certa forma, foi um sonho tornado realidade", contou Michael Shuman em entrevista ao DN.

O baixista pode ser o elemento mais novo entre os cinco Queens of the Stone Age, mas a idade não é um posto. "Já não me sinto um miúdo e, na verdade, as pessoas que me conhecem bem e que estão à minha volta até me consideram mais velho. É difícil de explicar, mas tenho essa mentalidade. Sou um pouco mais cauteloso e reservado, comparando com outros membros da banda", afirmou.

O músico entrou para o grupo há sete anos, na altura para substituir Alain Johannes. Este, por sua vez, substituía Nick Oliveri, que, durante anos, foi ao lado de Josh Homme uma das faces mais carismáticas dos Queens of the Stone Age.

No entanto, desde a entrada na banda e a gravação de um disco passaram seis anos. Neste período de tempo, o líder Josh Homme viveu complicações de saúde muito graves, esteve internado durante quatro meses e quase morreu durante uma cirurgia. Pelo meio, a banda perdeu ainda o baterista, Joey Castillo, que decidiu abandonar o projeto.

"O ...Like Clockwork foi sem dúvida o disco mais difícil, no qual eu, e penso que todos na banda, estiveram envolvidos. Os problemas de saúde do Josh obrigaram-nos a recomeçar as gravações do disco três vezes e a parar consecutivamente. Depois perdemos o Joey... Aconteceu muita coisa mesmo. Não penso que alguém conseguirá voltar a fazer um disco desta forma, mas, por outro lado, tudo isto nos uniu ainda mais", contou o músico.

Se desde 1996 os Queens of the Stone Age têm conseguido ultrapassar todas as adversidades, Michael Shuman explica que isso só tem sido possível porque existe uma relação quase familiar entre os seus membros. "Existem bandas em que os músicos não gostam uns dos outros, fazem-no apenas porque é um trabalho. Para eles, gravar discos e fazer concertos é como ter um emprego. Mas connosco, no final do dia, não havia lutas. Apenas queríamos ajudar-nos mutuamente e numa altura em que há problemas de saúde envolvidos e coisas sérias, aí dá para perceber quem são os amigos verdadeiros. O que fizemos foi ajudar o nosso amigo na altura em que ele mais precisava de nós."

O facto de durante este processo o baterista Joey Castillo ter saído do grupo afetou Shuman, como o próprio confirmou. "Foi muito difícil porque existe sempre uma ligação muito forte entre o baterista e o baixista e ele era como um irmão mais velho para mim. Pessoalmente, foi mesmo complicado, mas conseguimos fazer a mudança de forma muito rápida e agora adoro tocar com o Jon [Theodore]. Tive de aprender a tocar de outra forma, o que é sempre bom, porque num disco quer-se sempre expandir a linguagem musical o máximo possível".

Apesar de Nick Oliveri ter saído dos Queens of the Stone Age há dez anos, qualquer músico que lhe suceda sofre sempre as inevitáveis comparações. Michael Shuman não é uma exceção. "Não me aborreço com as comparações porque cada um de nós tem estilos completamente diferentes. Eu nunca serei o que algumas pessoas possam querer que eu seja. E [as comparações] não me incomodam porque, e não quero soar arrogante, as pessoas não sabem o que se passa atrás do palco, não sabem como nós somos. Adoro o Nick, mas hoje a banda é diferente."

Os Queens of the Stone Age serão os cabeças de cartaz do Rock in Rio--Lisboa do dia de hoje, na mesma noite em que atuam os Linkin Park. A banda atua às 20.45 no Palco Mundo.

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