Primavera Sound termina com 75 mil espectadores

A organização do Optimus Primavera Sound estima que perto de 75.000 pessoas tenham estado no Parque da Cidade nos três dias do festival, que terminou com uma programação dedicada às faixas mais alternativas.

Num balanço final, José Barreiro, um dos diretores do festival, afirmou que o evento correu "sobre rodas, sem cancelamentos de última hora e quando se faz um festival com quase 60 projetos podem acontecer muitos imponderáveis... mas correu tudo na perfeição".

Sem ter ainda fechado contas, José Barreiro disse à agência Lusa que o número de pessoas no parque urbano do Porto não estará longe das 75.000 pessoas nos três dias do festival, "se incluirmos pessoal de 'staff' e da imprensa vinda dos quatro cantos do mundo".

O diretor do festival apontou o dia dos Blur como o de maior afluência e, com "os livros de reclamações praticamente vazios", prometeu que para o ano o Primavera Sound vai continuar a achar que "qualidade é incompatível com massificação".

A programação do último dia era, segundo um espetador, relembrando um 'slogan' de uma rádio, "para uma imensa minoria". No encerramento, não havia chamarizes da dimensão de Nick Cave ou dos Blur, mas antes a curiosidade de ver uma banda que se julgava perdida, os My Bloody Valentine.

Os irlandeses, que regressaram aos discos em 2013, depois de um interregno de 22 anos, tocaram a partir das 01:25 de hoje um concerto em que as guitarras com muita distorção continuam a dominar sobre uma voz quase impercetível.

Antes, no mesmo palco principal, tinha sido possível ver uma outra banda de guitarras: os "Explosions in the sky", com as suas composições instrumentais a convidar largas partes da plateia a assistir sentada ao concerto.

Mais pequena mas mais agitada esteve a plateia com o regresso dos Dinossaur Jr., que tocaram temas do novo disco "I bet on sky", mas não se furtaram a evocar hinos antigos como "Freak scene". No último tema, o vocalista dos Fucked Up, Father Damian, surgiu de surpresa para arrebatar talvez o momento de maior entusiasmo.

Um dos momentos do terceiro dia foi a atuação das Savages, uma oportunidade para o público atestar porque a publicação eletrónica Pitchfork as consideram "uma das mais imponentes e ferozes estreias no rock, nos últimos anos", cuja "descomunal confiança e nítida clareza de visão não tem relação com o seu curto tempo de existência".

Se ver bandas como os My Bloody Valentine ou Dinnossaur Jr. é uma oportunidade para ouvir as lendas, assistir à atuação desta banda de punk melódico e de outras bandas novas, foi, para alguns, a oportunidade ver lendas a nascer.

"Elas vão ser grandes", afirmou João Augusto, um espetador satisfeito pela atuação da banda londrina, inteiramente feminina, o que é uma raridade, que tem na vocalista Jehnny Beth um elemento de destaque.

A multiplicidade das escolhas e das descobertas vai continuar a ser a aposta do Primavera do Porto, segundo João Barreiro que, apesar de achar que dois anos "ainda é cedo para consolidar um festival", tem confiança que daqui a dois anos, como lhe dizia uma jornalista da New Musical Express, "vai esgotar em fevereiro".

A cidade, este ano com uma forte presença gastronómica no recinto e o espaço verde do parque, a par da programação, continuam a ser apontados por muitos espetadores estrangeiros, cerca de metade do total, como a razão para virem a um festival que decorreu sem incidentes.

Segundo a polícia e os bombeiros não havia "nada a realçar" de ocorrências no final do festival. "Quem aqui veio, veio claramente pela música", afirmou um fonte da PSP.

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