Portugal compra colecção Bastin por preço abaixo do acordado

A colecção de música portuguesa de Bruce Bastin, com cerca de 8.000 gravações, será adquirida por Portugal por um milhão de euros, menos 100.000 euros do que inicialmente acordado, disse à Lusa o representante do coleccionador britânico.

O acordo, assinado em Dezembro de 2008 entre o Estado português e o coleccionador, estipulava o pagamento de 1,1 milhão de euros pela compra da colecção, contendo maioritariamente gravações de fados.

O representante legal de Bruce Bastin, António Sardinha, justificou à Lusa a descida do valor acordado para evitar demoras em tribunal na discussão sobre o que é um fonograma.

"Baixámos o preço. Fica em um milhão de euros, porque ir discutir para tribunal o que é um fonograma, daqui a dez ou quinze anos ainda estaríamos a discutir", disse o advogado do coleccionador inglês.

Portugal - Ministério da Cultura e EGEAC (Empresa municipal de Gestão e Animação Cultural) - tem agora que pagar ao coleccionador 910.000 euros, na medida em que 90.000 euros foram já pagos após a celebração do contrato a 21 de Dezembro de 2008.

As duas partes divergiam quanto à nomenclatura utilizada - fonograma ou disco - o que fazia a variar o número de gravações a adquirir.

O director do Instituto dos Museus e Conservação (IMC), Manuel Bairrão Oleiro, esclarecia que "o fonograma é um suporte, independentemente do número de gravações, fados ou canções que um disco contenha, e não uma faixa, como parece ser o entendimento do representante do vendedor".

Da mesma opinião eram musicólogos da Universidade Nova de Lisboa ouvidos pela Agência Lusa.

António Sardinha garantiu à Lusa que esta questão está ultrapassada e que tal se deveu "à preponderante intervenção do ministro da Cultura".

No próximo dia 21 "o acordo será finalmente assinado" entre as diferentes partes, disse.

Bruce Bastin vende a Portugal cerca de 8.000 fonogramas de música portuguesa, dos quais 5.000 são arquivos de fado, que se encontram em Portugal desde Janeiro passado, e 3.000 provenientes do Brasil, também de música portuguesa, que serão entregues no dia da assinatura do acordo.

A esta venda "Bruce Bastin acrescenta a doação de mil fonogramas de música portuguesa ou gravada em Portugal", acrescentou Sardinha.

O estudo deste espólio é considerado essencial por vários investigadores.

Para o musicólogo Rui Vieira Nery, a aquisição "é essencial para um melhor conhecimento da história fadista, nomeadamente nos primórdios da gravação fonográfica".

"Muitos nomes desconhecidos vão ser agora divulgados e, apesar de mais de metade da colecção ser fado, é um enriquecimento também para a música portuguesa em geral", afirmou por seu turno a gestora do Museu do Fado, Sara Pereira.

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