"Nunca fui muito bom a ser adolescente"

Neil Hannon, mentor dos Divine Comedy, inicia minidigressão em Portugal que passa por Guimarães, Aveiro e Lisboa.

Desde o início dos anos 90 que os The Divine Comedy nos habituaram em disco a canções pop com imponência teatral, por vezes dominadas com uma pompa sinfonista e um sentido de humor próprio dos britânicos. No entanto, quem for a um dos quatro concertos que Neil Hannon tem marcados para Portugal apenas poderá contar com o músico, sozinho em palco, apenas com um piano e uma guitarra. Esta noite apresenta-se no Centro de Artes e Espectáculos São Mamede, em Guimarães, amanhã actua no Teatro Aveirense, enquanto segunda e terça-feira subirá ao palco do Teatro Maria Matos, em Lisboa. Estas duas últimas datas já se encontram esgotadas.

"É bizarro, mas esta tem sido a digressão mais bem-sucedida da minha carreira, no que diz respeito à venda de bilhetes. Sei que posso fazer realmente o que quero nestes concertos, e faço-o, e as pessoas gostam disso, porque posso conversar com elas e no final divertimo-nos todos muito mais", confessou ao DN Neil Hannon, mentor do projecto The Divine Comedy.

A ideia de fazer uma digressão sem o apoio de uma banda surgiu ainda estava a compor as canções do novo Bang Goes the Knighthood (2010): "Na altura estava a escrever o musical Swallows and Amazons e compunha só ao piano. Pouco depois, quando comecei a compor as canções para este disco, segui o mesmo método. Foi nesta altura que pensei pela primeira vez que devia fazer uma digressão sozinho", contou.

A experiência de ser o único músico em palco a apresentar as suas canções é "muito diferente": "É tudo mais intenso. Acabo cada concerto sempre de rastos, porque tenho de estar 100% concentrado o tempo todo. Quando estás numa banda, podes sempre descansar um pouco e deixar que alguém faça o teu trabalho, ou se por acaso tocares uma nota errada basta olhares para outro músico e fingires que foi ele", referiu.

Nestes quatro concertos que vai dar em Portugal vem apresentar o álbum Bang Goes the Knighthood. E apesar de já ser o décimo da sua carreira, Neil Hannon confessou que continua a sentir uma "necessidade" de criar personagens nas suas canções e em palco: "Nos concertos até me visto como um banqueiro britânico dos anos 60. Na verdade, sempre gostei de criar uma camuflagem, algo em que eu possa esconder-me, uma espécie de personagem de mim próprio, porque nunca podemos ser absolutamente honestos com o público, apenas mostramos uma face."

Apesar desta "necessidade", o músico, que há poucas semanas celebrou 40 anos, revelou que somente à medida que vai "envelhecendo" é que se sente "mais feliz" consigo próprio: "Nunca fui muito bom a ser adolescente, não gostava de ir a festas, não ia jogar basebol aos fins-de-semana, nem parecia um bom indie rocker, por isso comecei a vestir fatos desde cedo. Para ser honesto, odiei ser adolescente."

Este novo álbum marca também uma mudança na carreira de Neil Hannon com o projecto The Divine Comedy, cujo novo álbum foi lançado de forma independente, pela Divine Comedy Records: "Quando estás numa multinacional, há sempre aspectos do teu trabalho que acabam por ser feitos por outras pessoas. Sei que tive muito mais trabalho com este disco, mas é como diz o ditado, se queremos que algo se faça bem, então fazemo-lo nós próprios."

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