"Nem a TV nem a rádio davam projecção a estas bandas"

Que relevância tinha esta música na altura?

Era algo inédito. Os grupos representados na colectânea Caloiros da Canção eram únicos porque foram os primeiros a fazer rock em português. Os Conchas faziam versões em português de canções lá de fora, sobretudo dos Everly Brothers. Daniel Bacelar, um fã confesso do Ricky Nelson, fez os seus originais em português, o que era uma coisa inédita na altura.

Como é que nesse tempo reagiam as pessoas e a rádio a esta música?

Mal, e é preciso não esquecer que quando o rock português, que tem 50 anos, surgiu, o próprio País era cinzento, porque Portugal vivia em ditadura. Tudo o que cheirava a cabelos compridos, a guitarras eléctricas caía mal, tudo o que fosse fora do que o regime e o sistema arquitectavam tinha uma reacção má. Daí que nenhuma destas bandas tenha tido grande sucesso. Primeiro eram vetadas pela rádio, segundo eram vetadas pela televisão e em terceiro, sobretudo pelo meu ponto de vista, eram vetadas pelo serviço militar obrigatório. Quando as bandas começavam a aprender a tocar uma guitarra, tinham de a trocar por uma G3 para ir combater na Guerra do Ultramar.

Quem ouvia estas bandas?

Pouca gente, porque nem a televisão nem a rádio lhes davam projecção. Quem desfrutava destes grupos eram os jovens dos liceus e os veraneantes, que iam às festas e aos bailes de finalistas nas sociedades recreativas. Era a única hipótese que estas bandas tinham de mostrar a sua música.

Que heranças deixaram estes nomes?

Rui Veloso, GNR, UHF, que se afirmam como os pais do rock português, foram beber ao que já tinha sido feito antes. Agora toda gente acha que o Rui Veloso é o pai do rock português mas antes já muitos outros tinham feito rock em português.

Outras Notícias

Outros conteúdos GMG