Maria João Pires estreia-se em nova editora

A pianista luso-brasleira Maria João Pires, a celebrar 70 anos, estreia-se numa nova discográfica, a Onyx, com um álbum em que interpreta os Concertos para Piano e Orquestra n.ºs 3 e 4, de Ludwig van Beethoven.

A discográfica independente Onyx foi fundada em 2005, pelo antigo responsável da Sony Chris Craker e, entre os seus diretores, encontra-se Paul Moseley, ex-Deutsche Grammophon (DG), etiqueta para a qual a pianista gravou até ao ano passado.

Segundo o sítio da discográfica Onyx, na Internet, o CD, gravado com a Orquestra Sinfónica da Rádio Sueca, sob a direção do maestro Daniel Harding, deverá ser editado internacionalmente na próxima quarta-feira, quando a pianista completa 70 anos. Maria João Pires nunca tinha gravado estes dois concertos.

Segundo a Onyx, Maria João Pires deverá voltar aos estúdios, no futuro, para gravar as Sonatas para violino, de Mozart, com Augustin Dumay, com quem também as gravou para a DG, e o Triplo Concerto de Beethoven, com Dumay e o violoncelista brasileiro Antonio Meneses.

Segundo a mesma fonte, há ainda a possibilidade de a pianista gravar as duas últimas sonatas para piano de Beethoven.

O 70.º aniversário da mais internacional e reputada pianista portuguesa foi antecipadamente assinalado pela DG e a e Erato, com edições especiais.

A germânica DG editou, em junho último, uma caixa com vinte CD, em que reúne todas as gravações a solo da artista portuguesa para a etiqueta e, por seu turno, a Erato Recordings editou, também em junho, uma caixa com 17 CD, com as gravações que a pianista fez, entre 1972 e 1987, para a editora francesa, no período que antecedeu a sua entrada na discográfica germânica.

Maria João Pires nasceu em Lisboa, a 23 de julho de 1944, subiu ao palco pela primeira vez aos quatro anos, e tornou-se internacionalmente conhecida quando em 1970 venceu, em Bruxelas, o Concurso Beethoven de Piano, por ocasião do bicentenário do nascimento do compositor alemão.

A pianista recebeu também o prémio do Conselho Internacional da Música, da UNESCO, em 1970, e o Prémio Pessoa, em 1989. Em 1999, Portugal condecorou-a com a Grã-Cruz da Ordem de Sant'Iago da Espada, da qual tinha sido feita dama em 1983. Em 1989, recebeu a comenda da Ordem do Infante D. Henrique.

Maria João Pires tocou com as mais conceituadas orquestras e nas mais relevantes salas de espetáculos a nível mundial. Em 2012, a pianista foi aplaudida de pé no Carnegie Hall, em Nova Iorque, e chamada ao palco por três vezes, perante a insistência do público, depois de ter interpretado o Segundo Concerto para Piano e Orquestra, de Frédèric Chopin, com a Sinfónica de Filadélfia, conduzida pelo maestro Charles Dutoit.

A pianista fundou o projeto artístico Associação Belgais, na Beira Baixa, com o qual gravou um CD para a DG. A associação fechou portas em 2009, e no ano seguinte adquiriu a nacionalidade brasileira.

No ano passado, Maria João Pires foi nomeada para os prémios Grammy, na categoria de Melhor Intérprete a Solo pelo álbum dedicado a Franz Schubert, com a derradeira Sonata do compositor, a Sonata em Si bemol maior, D.960, e a Sonata em Lá menor, D.845.

Refira-se que a pianista tinha já sido nomeada para a mesma categoria dos galardões da indústria discográfica norte-americana, em 2009, pelo disco dedicado a Frédèric Chopin, no qual interpreta a 3.ª Sonata.

Numa entrevista ao jornal espanhol El Pais, em 2011, Maria João Pires afirmou que gostaria de se retirar dos palcos até 2014.

"Eu e o meu agente fixámos uma data: 2014, que é quando cumpro 70 anos", disse na altura ao diário espanhol.

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