Jazz em Agosto: Evan Parker e Circulasione Totale

Os concertos do Evan Parker Electro-Acoustic Ensemble e da Circulasione Totale Orchestra, sendo este o que encerra o 27.º Jazz em Agosto, que começa sexta feira na Fundação Gulbenkian (Lisboa), são duas apostas do director do festival.

Rui Neves considera aqueles projectos 'focos bastante importantes' da programação deste ano. Ambos os concertos decorrerão no anfiteatro ao ar livre da fundação, o primeiro realizar-se-á no domingo, o segundo no dia 15.

'É uma orquestra até de sonho porque revela uma escolha muitíssimo apurada de músicos, mas também uma orquestra multi-geracional', porque alia uma vertente electrónica 'um bocado radical' a outra de 'acústico puro' tornando-se numa 'espécie de equilíbrio entre essas duas maneiras de se pensar e se executar música', afirma.

'É como estarmos a ouvir uma sinfonia de Beethoven tocada em tempo real dentro de nós, uma sinfonia com um efeito incrível, sentimos a música na pele', acrescentou.

Formado há 25 anos, o grupo integra músicos da Noruega, Suécia, África do Sul, Estados Unidos da América e Reino Unido e é liderado pelo saxofonista norueguês Frode Gjerstad, um músico 'ligado ao jazz mais libertário' já com uma carreira de 30 anos que quis rodear-se de músicos com quem já tivesse tocado e com quem se desse bem, referiu o responsável do festival.

A outra aposta de Rui Neves é o concerto de Evan Parker Electro-Acoustic Ensemble, que junta 18 músicos do Reino Unido, Japão, Estados Unidos, Holanda e Itália, entre os quais o trompetista Peter Evans. 'Uma equipa superlativa de ´laptoppers` experimentais', define.

 'É a formação mais ambiciosa que o saxofonista britânico [que dá nome ao grupo] jamais apresentou em palco, a maior de todas, com 18 músicos, e que terá uma componente que para o Jazz em Agosto é absolutamente inédita: uma imagem em tempo real por um artista norueguês', indica.

Sublinha ainda o espectáculo (dia 13, às 21:30, no anfiteatro ao ar livre) do novo quinteto do clarinetista e saxofonista francês Louis Sclavis - o Lost on The Way - , por considerá-lo um projecto que reflecte uma nova geração do jazz em França. Baseado na 'Odisseia', é um projecto que Rui Neves considera demonstrativo da 'autonomia do jazz europeu em relação ao norte-americano'.

Quanto à participação portuguesa nesta edição do festival, marcarão presença os Open Speach Trio (Portugal/Alemanha) - no domingo, às 15:30, no auditório 2, - um grupo liderado pelo flautista Carlos Bechegas, pelo violoncelista alemão Ulrich Mitzlaff e pelo percussionista português Miguel Feraso Cabral e que Rui Neves classifica um 'trio notado no circuito da música improvisada em Portugal' e que 'tem provado ter uma mais-valia notória'.

No dia 14, às 18:30, no auditório 2, é a vez do Red Trio -- Rui Pinheiro (piano), Hêrnani Faustino (contrabaixo) e Gabriel Ferrandini (bateria) - um grupo que faz uma música 'baseada na ideia de 'free jazz' e editou este ano o primeiro disco na Clean Fead .

Questionado pela Lusa sobre se o festival tem contado com maior afluência de público, Rui Neves refere que 'tem mantido o seu público', com uma 'taxa de ocupação média que rondará os 80 por cento, o que significa 5000 pessoas ou um pouco mais'.

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