Pet Shop Boys regressam ao som de 'Yes'

O álbum hoje editado é um disco positivo, no qual o grupo aceita a colaboração de uma equipa de produtores do presente. Na essência, contudo, mantém-se fiel à sua personalidade pop

Era uma vez um jornalista e um estudante de arquitectura. Conheceram-se numa loja de materiais de alta fidelidade em Londres, em 1981. Em 1984, o que nesse dia começara como um encontro de entusiastas da pop ganhava expressão material na forma de um primeiro single. Chamava-se West End Girls e acabaria (numa segunda versão, editada mais tarde) transformado num dos clássicos maiores dos anos 80. 25 anos depois, o ex-jornalista (Neil Tennant) e o antigo estudante de arquitectura (Chris Lowe) são globalmente reconhecidos como Pet Shop Boys. Yes, o novo disco, tem hoje edição mundial. E mostra como se mantiveram fiéis a uma linguagem que deles fez um dos nomes de proa da história da música pop.

25 anos depois de West End Girls os Pet Shop Boys mantém firme um uma identidade que então mostravam já bem definida: uma pop luminosa, inteligente na construção das melodias e palavras, interessada na exploração das electrónicas (sem fechar portas a colaborações com orquestras) e com claro gosto pelo disco. Yes não está longe destas premissas "clássicas" e chama novos parceiros a bordo, para manter firme essa personalidade demarcada.

Os novos colaboradores

A bordo desta nova aventura encontramos novos e antigos parceiros. A equipa de produção Xenomania, uma das mais bem sucedidas da pop britânica do presente (com trabalho sobretudo reconhecido com as Girls Aloud), tem aqui um lugar de relevo assumindo a produção e co-assinando alguns temas. Inicialmente tinham em vista fazer três canções em conjunto. Mas o entendimento entre os Pet Shop Boys e a equipa de Brian Higgins foi tal que acabaram por ir mais além, contribuindo também para o mais recente álbum das Girls Aloud. Love Etc., escolhido como single de avanço para Yes, é uma das canções co-assinadas pelos Xenomania. As duas outras são More Than A Dream e The Way They Used To Be. Em entrevista à revista Word, Neil Tennant confirmou que a equipa de produtores lhes deu títulos possíveis para as canções, pedindo-lhes apenas as letras. O casamento, no final, parece bem sucedido.

Esta não é a única parceria que encontramos em Yes. Johnny Marr (ex-Smiths), que em tempos colaborou com Tennant e Lowe quando militava nos Electronic, toca guitarra em Building a Wall, Beautiful People e harmónica em Pandemonium. Owen Pallett (do projecto Final Fantasy) assina os arranjos de cordas em Legacy e Beautiful People. Estas parcerias trazem assim novos temperos, sem contudo procurar mudar os sabores da música.

Ao longo dos seus 25 anos de carreira, apesar de fiéis a uma firme identidade pop, os Pet Shop Boys colaboraram com inúmeras figuras. Assinaram remisturas para David Bowie, The Killers, Blur ou Yoko Ono. Escreveram para Robin Williams, Dusty Springfield ou Liza Minelli. Construíram uma obra que concilia a alma de mercado da música popular com uma inteligência e requinte gourmet. Yes, o novo disco, renova velhos votos. E celebra, a preceito, 25 anos de arte pop.

 

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