Neil Hannon sempre de bom humor

Músico esgotou o Teatro Maria Matos e revelou-se um excelente 'entertainer'.

O concerto já se prolongava havia mais de uma hora quando Neil Hannon desafiou um membro do público a contar uma piada ao microfone. No entanto, os fãs de Divine Comedy, que esgotavam o Teatro Maria Matos na segunda-feira, mostraram-se inicialmente reticentes com a proposta. "Posso ficar aqui a noite inteira, mas alguém vai ter de contar uma anedota", afirmou enquanto dedilhava duas notas ao piano. As gargalhadas lá se fizeram ouvir quando ao fim de alguns minutos uma fã se chegou à frente do palco para responder ao pedido de Neil Hannon. De facto, o sentido de humor foi constante ao longo da noite.

O álbum Bang Goes the Knighthood, editado este ano, servia de mote a estes espectáculos. E se em disco as novas canções reflectiam a necessidade de uma renovação de ideias, ao vivo ganharam uma outra dimensão.Reduzidas à sua essência, acabaram por se revelar canções surpreendentes, por vezes ao nível de alguns dos melhores momentos da carreira dos Divine Comedy.

Se por um lado há que elogiar o facto de Neil Hannon ter conseguido recriar as suas canções para voz e piano sem que perdessem o seu apelo pop e as suas qualidades de base, por outro há a destacar o excelente sentido de humor que demonstrou constantemente ao longo das duas horas de concerto.

Apareceu em palco vestido como um banqueiro britânico dos anos 60, de fato, chapéu, cachimbo e mala de empresário na mão. Mais apropriado não podia estar para interpretar um tema como The Complete Banker, que reflecte com uma excelente dose de humor sobre a crise financeira actual.

Era ao piano que o músico se sentia mais confortável, já que nos poucos momentos que se dirigiu à guitarra eram recorrentes os enganos, facilmente ultrapassados com o seu bom humor, que faz de Neil Hannon também um excelente entertainer.

Ao longo das duas horas de espectáculo houve oportunidade não só para apresentar as canções do último álbum de estúdio, mas também alguns dos temas mais incontornáveis dos Divine Comedy, desde National Express a Generation Sex . E até chegou a interpretar o conhecido Don't You Want Me dos Human League, que devido às subtis alterações na letra provocou algumas gargalhadas.

Na primeira parte apresentou--se Cathy Davey, cantora irlandesa que demonstrou claras fragilidades ao nível da interpretação.

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