Dançar hoje ao ritmodas músicas de Verão dos anos 60 e 70

"Quem é que não dançou abraçado a uma rapariga ao som de Serás Tu para Mim?, dos Conchas?", pergunta Luís Pinheiro de Almeida. Quem não o fez na década de 60 ainda vai a tempo de se apaixonar ao ritmo deste típico slow , versão de Let it be me em que se ouve Fernando Gaspar a cantar "o teu olhar é como o mar". É que esta é uma das músicas resgatadas por Luís Pinheiro de Almeida na colectânea Óculos de Sol, agora editada pela iPlay.

"Este disco nasce de uma proposta minha", conta o jornalista, que é admirador dos Beatles e tem feito bastante investigação sobre a música dos anos 60 e 70. "Este ano celebram-se os 50 anos da edição do primeiro disco de yé yé português (ver caixa) e eu achei que era uma oportunidade de fazer algumas coisas. Uma das coisas é este disco que faz hoje algo que era impossível na altura: juntar o yé yé e o nacional-cançonetismo. Eram inimigos figadais. Quem gostava da Simone não ouvia os Sheiks. E os que gostavam do Quarteto 1111 não suportavam o António Calvário."

Pinheiro de Almeida era do clã do yé yé, obviamente, mas com o tempo foi-se maravilhando com outros sons. Para seleccionar os 30 temas que preenchem os dois discos desta colectânea, o jornalista, que teve "liberdade total" da editora, perdeu-se nos arquivos da Valentim de Carvalho para poder apresentar não só os grandes sucessos de Verão dos anos 60 e 70 mas também alguns temas menos conhecidos, muitos deles nem sequer estavam editados em CD. Claro que o fã dos Beatles destaca Hoje, versão deliciosa de Yesterday cantada pelos Demónios Negro, ou Sem Ti Não Sei Viver, ou seja, I'll Get You. "Nesta altura havia pouca originalidade na música portuguesa. Havia muitas versões de temas ingleses e muitas imitações." Só aqui temos, por exemplo, Simone de Oliveira a cantar Marionette (a partir de Puppet on a String), Daniel Bacelar com Miudita (My Boy Lollipop) ou Marco Paulo numa tradução literal de S. Francisco.

O tempo que passou não voltará, como muito bem canta José Cid em Vinte Anos, mas a verdade é que qualquer pessoa que tenha vivido na época vai com certeza cantar a Milena do Conjunto Académico João Paulo, Au Revoir Sylvie dos Duo Ouro Negro, Missing You pelos Sheiks (sucessão tão grande que chegou a ser lançada em Inglaterra e na França, o que era raro) ou Kanimambo, de João Maria Tudella.

Isto sem esquecer Natércia Barreto que, além dos óculos de sol, na sua bagagem para a praia, em 1968, levava "o pente, o espelho, o bâton/e o creme muito bom" e ainda um bikini encarnado e um rádio portátil. E, para um Verão completamente diferente, nada como mergulhar no Sabor a Sal, de António Calvário. Luís Pinheiro de Almeida destaca também a divertida Menina dos Telefones, interpretada por Maria José Valério. "Acho que pode ser o maior êxito do disco", arrisca. "Só falta O biquíni pequenino às bolinhas amarelas", lamenta. Talvez num próximo volume de memórias.

1. Do Quarteto 1111, com José Cid, ouvimos 'Dona Vitória'

2. Duo Ouro Negro está presente com 'Au Revoir Sylvie' e 'É Verão'

3. Madalena Iglésias e António Calvário em dueto (também no cinema) com 'É Tão Bom Amar'

4. Mafalda Sofia surpreende-se: 'Oh'

5. A capa original de 'Óculos de Sol', de Natércia Barreto

6. Um tema menos conhecido de Simone de Oliveira: 'Marionette'

7. Marco Paulo mostra uma versão de 'S. Francisco'

'Óculos de Sol'

2 CD

iPlay

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ferreira Fernandes

A Europa, da gasolina lusa ao palhaço ucraniano

Estamos assim, perdidos algures entre as urnas eleitorais e o comando da televisão. As urnas estão mortas e o nosso comando não é nenhum. Mas, ao menos, em advogado de Maserati que conduz sindicalistas podíamos não ver matéria de gente rija como cornos. Matéria perigosa, sim. Em Portugal como mais a leste. Segue o relato longínquo para vermos perto.Ontem, defrontaram-se os dois candidatos a presidir a Ucrânia. Não é assunto irrelevante apesar de vivermos no outro extremo da Europa. Afinal, num canto ainda mais a leste daquele país há uma guerra civil meio instigada pelos russos - e hoje sabemos, como não sabíamos ainda há pouco, que as guerras de anteontem podem voltar.

Premium

Marisa Matias

Greta Thunberg

A Antonia estava em Estrasburgo e aproveitou para vir ao Parlamento assistir ao discurso da Greta Thunberg, que para ela é uma heroína. A menina de 7 ou 8 anos emocionou-se quando a Greta se emocionou e não descolou os olhos enquanto ela falava. Quando, no final do discurso, se passou à ronda dos grupos parlamentares, a Antonia perguntou se podia sair. Disse que tinha entendido tudo o que a Greta tinha dito, mas que lhe custava estar ali porque não percebia nada do que diziam as pessoas que estavam agora a falar. Poucos minutos antes de a Antonia ter pedido para sair, eu tinha comentado com a minha colega Jude, com quem a Antonia estava, que me envergonhava a forma como os grupos parlamentares estavam a dirigir-se a Greta.

Premium

Margarida Balseiro Lopes

O governo continua a enganar os professores

Nesta semana o Parlamento debateu as apreciações ao decreto-lei apresentado pelo governo, relativamente à contagem do tempo de carreira dos professores. Se não é novidade para este governo a contestação social, também não é o tema da contagem do tempo de carreira dos professores, que se tem vindo a tornar um dos mais flagrantes casos de incompetência política deste executivo, com o ministro Tiago Brandão Rodrigues à cabeça.