Fundador dos Buraka mostra o que vale agora a solo

Branko lançou esta semana a 'mixtape' 'Drums, Slums & Hums', que estará também disponível para 'download' gratuito. Amanhã atua em Londres e continuárá em digressão pela Europa.

Ao longo dos últimos anos os Buraka Som Sistema afirmaram-se como algo bem maior do que um mero fenómeno que acaba esquecido na história. Marcaram a música portuguesa com a sua recriação do kuduro e tornaram-se num dos projetos mais internacionais do nosso País. Um dos seus fundadores, João Barbosa, assina agora como Branko e editou recentemente a mixtape, Drums, Slums & Hums, para a qual recrutou nomes do Reino Unido, EUA, África do Sul ou México. Está disponível para download gratuito no site www.brankoofficial.com.

Não nos deixemos enganar, porque Branko não está a começar do zero. A experiência que tem de projetos passados (não só os Buraka Som Sistema, mas também os 1Uik Project) reflete-se ao longo deste Drums, Slums & Hums, que evidencia, por isso mesmo, a identidade musical do produtor. "Não faz sentido estar sempre a começar do zero. Isso foi o que me fez aperceber que não ia começar do zero. Tenho uma bagagem. Não tenho 20 anos, não tenho de ser o maior fenómeno do momento. Tenho 32 anos e isso é bom. E percebi que todas estas músicas encaixam no mesmo saco porque é isto que eu sou", afirma o músico ao DN.

Para este disco convocou nomes como a britânica Roses Gabor, o rapper norte-americano Zebra Katz (nome cimeiro do movimento queer rap), a também americana Dominique Young Unique, o sul-africano Okmalumkoolkat ou colega Kalaf. "Em Buraka também sou aquele que vai buscar as pessoas, que pensa nos convidados e esquematiza isso, logo há sempre contactos que são feitos e não são oficializados", confessa. E ao deparar-se com algumas vozes já gravadas viu ali potencial para este passo a solo.

Ainda assim, este acaba por ser um processo mais moroso que o trabalho de banda. "Demoro um pouco mais de tempo por não ter um feedback direto. Mas existe uma liberdade muito maior, sem dúvida. Foi tudo uma decisão mais pessoal e mais livre", salienta.

Para o músico, até hoje "os Buraka sempre foram mais um coletivo que uma banda". E acrescenta: "Nós somos quase invisíveis em termos pessoais e agora um dos meus objetivos é dar-me a conhecer enquanto pessoa, quais os meus gostos e aquilo que posso fazer sozinho. Porque chega uma altura na existência de um grupo em que isso tem de começar a existir, se não fica algo por cumprir. Tem de se estabelecer uma relação mais direta com as pessoas da banda. Depois de muita conversa sobre o grupo e o que é que ele traz, agora tem de existir essa personalização".

E amanhã Branko embarca numa digressão europeia que passa por Reino Unido, França, República Checa, Escócia, Holanda e também Portugal (dia 20 na Casa da Música, no Porto, e a 3 de maio no Lux, em Lisboa).

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