Fado chega hoje à noite ao palco do Teatro São Carlos

Carminho, Carlos do Carmo, Mafalda Arnauth e Camané juntam-se hoje à Orquestra Sinfónica Portuguesa, que será dirigida pelo maestro Vasco Pearce de Azevedo.

Não é de todo habitual que uma sala de atividade lírica como o Teatro Nacional de São Carlos (Lisboa) acolha quatro fadistas para um concerto de fado. Mas é o que vai acontecer hoje à noite. Além de se unirem no São Carlos músicos de diferentes áreas, vão também juntar-se à Orquestra Sinfónica Portuguesa (dirigida pelo maestro Vasco Pearce de Azevedo) fadistas de diferentes gerações: Carlos do Carmo, Carminho, Camané e Mafalda Arnauth.

"Esta sala é um ícone da nossa cidade e do nosso país. Tem características únicas, não só históricas, mas também de acústica e de beleza. É uma grande emoção poder cantar aqui, até porque não é muito comum existirem concertos de fado, ou de outros estilos musicais, nesta sala", diz Carminho ao DN. A fadista salienta que "todos os palcos trazem expectativa", mas sendo este um concerto atípico, então "como qualquer momento único impõe alguma ansiedade".

A ideia para o espetáculo que se concretizará hoje surgiu da própria orquestra, como lembra ao DN o violoncelista Emídio Coutinho. Existe nesta proposta uma certa dose de "risco", refere: "Fazer fado no São Carlos, com uma orquestra sinfónica a interpretar repertório popular... depois temos um público conservador. Existia um risco grande, mas levámos este nosso desejo à administração, que disse que sim".

O músico salienta que um ponto importante deste concerto é mesmo o cruzamento não só de estilos musicais, mas de públicos: "É de estimular e nos dias que correm é fundamental a cultura estar cada vez mais unida, de forma a podermos mostrar o que de bom se faz. Até pode ser uma energia positiva para as finanças do País".

Já Carminho refere como é raro acontecer este cruzamentos de gerações de fadistas no mesmo palco: "É bom que haja contrariedade dessa onda, que as pessoas não se isolem. Somos todos distintos e é por isso mesmo que nos juntamos, porque somos tão diferentes e definidos. Sou apologista a 100% da união de vários fadistas e músicos de fado, porque foi sempre assim que esta música cresceu e evoluiu, com a passagem de testemunho e pela tradição oral". E, no final, os quatro fadistas vão interpretar em conjunto um fado.

O concerto de hoje começa às 21.00 e o preço dos bilhetes vai dos 10 aos 35 euros.

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