Entrevista aos Phoenix: grupo atua hoje no Optimus Alive

Laurent Brancowitz, guitarrista dos franceses Phoenix, falou ao DN sobre o regresso da banda aos discos e aos concertos, Beastie Boys e Revolução Francesa. Tocam hoje às 21.20 no Palco Optimus.

- Para surpresa de muitos, recentemente partilharam o palco do festival de Coachella com o cantor R. Kelly. Como é que isso se proporcionou?

Nós andávamos à procura de ter uma surpresa no concerto e pensámos no R. Kelly porque somos grandes fãs do seu trabalho. Consideramos que ele é um dos maiores génios da música contemporânea. Perguntámos-lhe se ele queria participar no concerto e ele disse logo que sim. Acabámos por o conhecer só em palco, durante a atuação.

- Confesso que não esperava que fossem grandes fãs de R. Kelly. A vossa música nada tem que ver com a dele.

Sei que é bizarro, mas nos Phoenix, de certa forma, tentamos conseguir o mesmo que o R. Kelly faz, que é criar novas fórmulas de música e as pessoas que o fazem são muito raras. Como músico confesso que tudo me soa sempre ao mesmo. Por isso quando alguém põe em causa as fronteiras estabelecidas... está a fazer música verdadeira. E todos os músicos que eu conheço são também fãs do R. Kelly.

- Vão atuar em Portugal no festival Optimus Alive. Que experiência prefere, em sala ou num festival ao ar livre?

A coisa boa dos festivais é que se pode tocar para mais de 30 mil pessoas e muitas delas não seriam aquela que encontraria numa sala fechada. É uma experiência muito diferente, tem-se de saber lidar com pessoas muito diferentes entre si, mas quando se consegue criar a união entre elas, aí vive-se uma experiência ritual quase bíblica, algo que é impossível de conseguir numa sala de espetáculos convencional. Mas é muito difícil conseguir criar essa comunhão.

- Vêm apresentar o recente álbum 'Bankrupt!', que antes de editado foi sendo apresentado no vosso site com palavras ligadas à Revolução Francesa. Que relação é essa?

O que é mais interessante na Revolução Francesa é que eles tentaram reinventar todo um modelo de sociedade. Queriam apagar tudo o que ligava a França ao seu passado e começar do zero. Foi um momento revolucionário algo louco, em que existia a ideia de que era possível criar algo verdadeiramente novo e isso é algo que nos interessa muito. Apesar de sabermos que é um objetivo que vai falhar, porque não se consegue inovar do zero, há sempre referências, ainda assim a loucura que está associada à criação de algo novo é algo muito interessante e que nós tentamos atingir.

- Sente que atualmente podemos estar perante um novo momento revolucionário?

É algo ao qual não podemos escapar. Sinto que estamos a viver o fim de um ciclo. Algumas coisas vão acabar e mudar drasticamente, a nível político, financeiro e até artístico. 2013 será um ano muito especial, algo vai acontecer.

- O vosso novo álbum sucede a 'Wolfgang Amadeus Phoenix', que foi um caso de sucesso repentino muito grande. Sentiram pressões ao criar este 'Bankrupt'?

Enquanto estivemos em digressão não sentimos quaisquer pressões, mas sabíamos que as pessoas que iam ouvir o disco iam sempre compará-lo com o anterior. No entanto só quando o álbum foi lançado é que sentimos alguma pressão, mas mais no sentido de agora termos de gerir uma grande "máquina" à nossa volta, quando até há pouco tempo fazíamos tudo sozinhos. Desta vez tivemos de despender muita da nossa energia no início para conseguir fazer o melhor que conseguimos, mas em conjunto com outras pessoas. Quando isso acontece perde-se algum charme de sermos nós a fazer tudo, por isso tivemos de encontrar uma forma de gerir toda esta máquina, mas mantendo a nossa integridade e as nossas ambições.

- Consegue imaginar onde é que estariam hoje os Phoenix se esse sucesso não tivesse sido alcançado?

Já quando tocávamos só para 100 pessoas, para nós isso já era um sucesso. Porque o facto de existir alguém que quer ouvir a nossa música ainda é algo bizarro e complicado de acreditar. Por isso nunca estivemos à espera de muito sucesso, já estávamos bastante satisfeitos com o que tínhamos. Sempre nos preocupámos mais em fazer canções novas e em não nos repetirmos.

- Dedicaram este novo álbum a Adam Yauch (morreu a 4 de maio do ano passado) dos Beastie Boys. É uma referência para vocês?

Iniciámos as gravações do disco no estúdio dele em Nova Iorque. Convidou-nos para irmos lá gravar, o que significou muito para nós. Estivemos com ele todos os dias enquanto estivemos lá a gravar. Depois somos grandes fãs de Beastie Boys. Eles são um daqueles grupos que tiveram a coragem que quebrar todas as regras, de fazer hip hop e punk rock, tudo misturado. Eles são únicos e foram loucos o suficiente para fazerem certas experiências e serem bem sucedidos nisso. Mais que inspirador, esta atitude é quase como oxigénio para nós.

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