Carlos do Carmo mostrou como 'Fado é Amor' no Coliseu

Carlos do Carmo não podia começar de outra forma. Entrou no Coliseu de Lisboa, esta noite, onde apresentou o seu último disco, 'Fado é Amor' com 'Lisboa, Menina e Moça', entoado por uma sala quase cheia.

Depois pegou no 'Estranha Forma de Vida', imortalizado por Amália, para lhe dar o seu cunho pessoal. E então sim, foi começando a chamar ao palco oito dos "seus meninos", como lhe chama, que cantam com ele duetos no CD. Estiveram Mariza, Camané, Aldina Duarte, Carminho, Mafalda Arnauth, Ricardo Ribeiro, Marco Rodrigues e Raquel Tavares. Faltaram apenas Cristina Branco e Ana Moura, com concertos no estrangeiro.

Mas não faltou a sua madrinha de casamento na plateia num concerto que o fadista, a comemorar 50 anos de carreira, dedicou ao recentemente falecido génio da guitarra flamenca, Paco de Lucia, com quem teria gravado um single em fevereiro.

Exclusivos

Premium

Viriato Soromenho Marques

Madrid ou a vergonha de Prometeu

O que está a acontecer na COP 25 de Madrid é muito mais do que parece. Metaforicamente falando, poderíamos dizer que nas últimas quatro décadas confirmámos o que apenas uma elite de argutos observadores, com olhos de águia, havia percebido antes: não precisamos de temer o que vem do espaço. Nenhum asteroide constitui ameaça provável à existência da Terra. Na verdade, a única ameaça existencial à vida (ainda) exuberante no único planeta habitado conhecido do universo somos nós, a espécie humana. A COP 25 reproduz também outra figura da nossa iconografia ocidental. Pela 25.ª vez, Sísifo, desta vez corporizado pela imensa maquinaria da diplomacia ambiental, transportará a sua pedra penitencial até ao alto de mais uma cimeira, para a deixar rolar de novo, numa repetição ritual e aparentemente inútil.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Agendas

Disse Pessoa que "o poeta é um fingidor", mas, curiosamente, é a palavra "ficção", geralmente associada à narrativa em prosa, que tem origem no verbo latino fingire. E, em ficção, quanto mais verdadeiro parecer o faz-de-conta melhor, mesmo que a história esteja longe de ser real. Exímios nisto, alguns escritores conseguem transformar o fingido em algo tão vivo que chegamos a apaixonar-nos por personagens que, para nosso bem, não podem saltar do papel. Falo dos criminosos, vilões e malandros que, regra geral, animam a literatura e os leitores. De facto, haveria Crime e Castigo se o estudante não matasse a onzeneira? Com uma Bovary fiel ao marido, ainda nos lembraríamos de Flaubert? Nabokov ter-se-ia tornado célebre se Humbert Humbert não andasse a babar-se por uma menor? E poderia Stanley Kowalski ser amoroso com Blanche DuBois sem o público abandonar a peça antes do intervalo e a bocejar? Enfim, tratando-se de ficção, é um gozo encontrar um desses bonitões que levam a rapariga para a cama sem a mais pequena intenção de se envolverem com ela, ou até figuras capazes de ferir de morte com o refinamento do seu silêncio, como a mãe da protagonista de Uma Barragem contra o Pacífico quando recebe a visita do pretendente da filha: vê-o chegar com um embrulho descomunal, mas não só o pousa toda a santa tarde numa mesa sem o abrir, como nem sequer se digna perguntar o que é...