Agente da PSP quer singrar na música e lança álbum

Fã de Billy Idol, Queen ou Pink Floyd, o polícia António Brandão faz continência à lei há 23 anos, mas o seu combate preferido é através música e, por isso, promete lançar em 2014 um álbum contra a mentira.

"É um disco chamado 'Pessoal Mente' e tem a ver com a mentira na sociedade", desvenda à Lusa António Brandão, o agente da Polícia de Segurança Pública (PSP), de 48 anos.

Será um álbum "muito pessoal", "intimista" e com "alguns acústicos", promete.

Com o nome artístico de Rey Brandão, o agente da esquadra da Batalha, no Porto, lamenta não ser fácil vingar no mundo da música por ser polícia, mas assevera que quer viver para a música.

"Não posso afirmar que vou viver da música, mas posso afirmar que vou viver para a música, é uma ideologia ideal", diz o fã de bandas musicais como Queen ou Pink Floyd e que admite ser ostracizado no mundo da música.

Segundo o polícia roqueiro, que se diz influenciado por Elvis Presley, Beatles, Rolling Stones, Duran Duran, Alphaville, Depeche Mode, Queen ou Billy Idol, "há muito preconceito" dos artistas contra ele por ser um agente da PSP.

"Julgo que muita gente até gosta da minha música e admiram-me, mas esse estigma de ser polícia, acho que é um bloqueio, um preconceito", assinala, referindo que, se calhar, não o levam "muito a sério", porque acham que um "polícia é polícia".

"Esquecem-se que andei a tocar nos últimos 30 anos", recorda.

Mas se, por um lado, se sente discriminado no mundo musical, também não é no mundo policial que estão os seus maiores admiradores, admite Rey Brandão, reconhecendo que a maioria prefere ouvir "música folclore" ou "música pimba".

Há, contudo, uma boa percentagem de colegas que o apoiam, que lhe "dão forças", e que até acham que é benéfica para a PSP a sua imagem de 'rock star' (estrela de rock).

Músico autodidata, António Brandão começou aos oito anos a tocar acordeão e já atuou na Queima das Fitas de Évora e em bares no Porto.

Hoje, tem um estúdio em casa, uma bateria, sete guitarras para tocar, compor e gravar música que lhe vai na alma. E o seu grande sonho é conseguir que o cantor Pedro Abrunhosa participe de alguma forma no seu novo álbum.

"Tenho essa esperança", desabafou.

Rey Brandão afasta as ideias preconcebidas de quem o possa apelidar de músico de intervenção, cantor pimba ou compositor de música romântica e assume-se como um "homem do rock'n'roll".

"As pessoas que ouvem as minhas músicas devem achar que sou um cantor muito romântico, mas eu, quando estou em palco, naquele momento tem de haver rock para as pessoas aquecerem e para haver uma certa adrenalina", afirma.

A Lusa questionou o comandante da PSP do Porto sobre o facto de ter, numa das suas esquadras, um agente cantor. Francisco Bagina comentou: "Quando uma atividade não colide com a sua atuação enquanto polícia e engrandece a imagem da instituição, não há nada contra".

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG