A noite em que o rock e as tradições cativaram Sines

Os sons africanos também se fizeram ouvir no Festival Músicas do Mundo (FMM), com uma passagem pelo Líbano e o afrojazz de nove jovens holandeses a terminar. Mas o destaque foi para um grande concerto dos Jambinai.

As noites de Sines estão a ficar mais longas à medida que se aproxima o final da 16.ª edição do FMM. Os Jungle By Night encerraram mais uma noite no palco da Avenida da Praia, mas um dos grandes momentos foi o concerto dos Jambinai, no Castelo.

A banda sul-coreana de rock experimental (muitas vezes mais a fazer lembrar o hard rock) que mantém uma estreita relação com as suas raízes ao utilizar instrumentos tão tradicionais da música do seu país, como haegeum, o sopro piri e a cítara geomungo. Um baixo, uma guitarra e uma bateria e o muito público presente não arredou pé para ouvir músicas que tanto faziam abanar a cabeça, como quase entrar num transe com a sonoridade hipnotisante dos instrumentos mais tradicionais. Foi a estreia deste quinteto em Portugal, tendo apresentado em Sines o seu primeiro álbum "Différance", editado este ano fora da Coreia do Sul.

A primeira banda a subir ao palco no Castelo foram os África Negra de São Tomé e Príncipe, d. E o nome não engana, os tradicionais ritmos africanos fizeram-se ouvir e não faltaram pessoas para dançar.

Depois foi descer até à praia para uma incursão pela tradição mongol, misturada com rock, um pouco de folk e uma forte influência de música moderna. Os chineses Ajinai espalharam simpatia e muito ritmo e o canto gutural mongol impressionou. As suas músicas tanto se baseiam numa sonoridade mais tradicional da Mongólia, como são mais contemporâneas.

Num ritmo bem diferente esteve Ibrahim Maalouf. O trompetista de Beirute - mas que cresceu em Paris devido à guerra civil no seu país - aposta em fusões do jazz com o rock, funk e estilos mais tradicionais. Foram quase duas horas de concerto com o público sempre a pedir mais.

Mas a noite teve ainda um regresso a África. Devido a um problemas com os voos. O concerto de Mélissa Laveaux foi adiado para hoje. No seu lugar esteve Mamar Kassey (que estava agendado para hoje). A banda, com quase 20 anos de existência é do Níger, mas as suas raízes passam ainda pelo Mali e Burkina Faso. Muito popular na África Ocidental, os Mamar Kassey apresentaram em Sines o seu terceiro trabalho, "Taboussizé-Niger".

Seguiram-se os Jambinai, em tudo diferente com que o até então havia passado pelo palco do Castelo, regressando-se depois até à Avenida da Praia para os Jungle By Night. E em noite de grande misturas de estilos, a orquestra afrojazz da Holanda funde géneros tão diversos como funk, hip hop, rock, entre outros.

O dia de hoje arranca às 19.00 no Castelo com os portugueses Galandum Galundaina, seguindo-se os mexicanos Arreola+Carballo às 20.15 na Avenida da Praia. Regressando ao Castelo, subirá ao palco Mulatu Astatke (da Etiópia), um dos grandes nomes neste festival (21.45).

O angolano Nástio Mosquito atuará às 23.15. O jovem angolano esteve recentemente em Portugal a apresentar o seu álbum "Se Eu Fosse Angolano". Mas a noite ainda irá a meio. Mélissa Laveaux - do Canadá mas com origens do Haiti - apresentará o seu espetáculo já perto da uma da manhã.

Novamente na Avenida da Praia, estão agendados mais dois concertos: os Meridian Brothers (da Colômbia) tocam às 02.30 e o indiano Niladri Kumar e o seu sitar fecham a longa noite com um concerto com início previsto para as 04.00.

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