A força do fado de Camané

Acaba de ser editada a primeira coletânea do fadista Camané, 'O Melhor 1995 - 2013', que traz ainda três temas inéditos.

Artista: Camané

Álbum: 'O Melhor 1995 - 2013'

Editora: EMI Music Portugal

Classificação: 5/5

18 anos representados em 36 fados. É desta forma que é resumido em dois discos o melhor de Camané, na primeira coletânea do seu percurso musical e que serve assim para redescobrir aquela que é hoje uma das maiores vozes do fado.

São assim percorridas quase duas décadas e, no entanto, a unidade e o rigor mantêm-se intocáveis ao longo de todos estes fados. A principal razão passa não só pelo inegável talento interpretativo de Camané, mas também pelo facto de desde o início se fazer acompanhar por José Mário Branco como seu produtor.

Esse rigor é palpável nas escolhas criativas do fadista ao longo destes 18 anos. Tem um repertório invejável, ancorado grande parte nos fados tradicionais, aliados às melhores palavras de Manuela de Freitas, Pedro Homem de Mello, João Monge, David Mourão-Ferreira ou Luiz de Macedo.

A essas palavras Camané tem sabido ao longo dos anos dar uma intensidade emocional que não abranda. Quando o ouvimos em fados como Complicadíssima Teia, Mais Um Fado no Fado ou Sei de um Rio, percebemos como é única esta sua forma de estar e ser no fado. Como poucos sabe dar uma dimensão maior que a imaginada às palavras que interpreta e é isso que faz dele uma voz maior.

Além dos temas já conhecidos, esta coletânea traz ainda três inéditos: Ai Margarida (poema de Álvaro de Campos e música de Mário Laginha), Ai Silvina, Silvininha (inédito de Alain Oulman com letra de António Gedeão) e Gola Alta (Henrique Segurado/Alfredo Marceneiro). E, felizmente, as suas valências mantêm-se igualmente aprimoradas.

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