A arte de saber crescer segundo os Arcade Fire

Minutos antes da atuação no Rock in Rio, Richard Reed Parry, dos Arcade Fire, falou ao DN e explicou como em dez anos o grupo subiu de patamar sem contudo perder a sua alma.

Dez anos depois de nos terem dado, com Funeral, um dos discos mais marcantes do panorama indie pós-milénio, os Arcade Fire somam já quatro álbuns que em nada comprometem as ideias que então lançaram. Ao vê-los no Rock in Rio, na noite de sábado, ficou claro que são um grupo decidido a manter-se fiel aos seus princípios, mesmo estando em franca etapa de alargamento de públicos. Reflektor, o álbum de 2013 que dominou o alinhamento do concerto, reforçou mesmo a ideia de que entre o grupo canadiano há uma atitude de resistência. "Não licenciaríamos as nossas canções a todos os que queiram fazer um anuncio de um automóvel ou algo no género", adverte o ruivo Richard Reed Parry, guitarrista (e não só), que reconheceu saber que têm "a sorte" de serem "populares" como o são hoje em dia e, "por isso nem existe a pressão para ter de fazer nada assim".

O músico, que falou ao DN nos camarins antes de entrar em palco, acrescentou que, na evolução de uma carreira "tem de equacionar-se o fazer bem as coisas e o ser popular". E isso, admite, "não é uma coisa fácil de conseguir, mas é também algo sobre o qual" o músico "não tem controlo". Sublinha, satisfeito, que "é ótimo" que "pessoas ainda gostem daquilo" que estão a fazer: "Ainda estamos a tentar chegar às pessoas, a trazer o que conseguimos aos nossos concertos e a procurar algo que seja cool, bonito, bom e que tenha significado". E, acrescenta que não costumam "aceitar oportunidades que surgem e que têm apenas a ver com dinheiro".

A popularidade é, de facto, volátil e Richard sabe que "as pessoas podem deixar de gostar" do grupo de um momento para o outro. "Alguém dirá que fizemos algo errado, que tomámos o passo errado", explica. E "talvez não fosse o errado", mas apenas não o certo "para manter um estatuto de superpopularidade". Mas "enfim", não parece ser coisa que tire o sono. Com seis elementos de núcleo e músicos convidados na hora de gravar ou tocar ao vivo, os Arcade Fire são um coletivo com uma boa dinâmica de trabalho. "Não é difícil manter a disciplina", revela o músico, que confessa que é importante "manter as coisas focadas", com "todos num mesmo comprimento de onda", garantindo "que sintam que estão a fazer a mesma coisa ao mesmo tempo". É, como descreve, "um casamento a seis que depois se transforma num casamento a dez". O mais evidente protagonismo das eletrónicas no álbum de 2013 é um bom exemplo dessa forma de estar em sintonia. Richard conta que, contudo, essa abertura a outros sons "não foi uma coisa súbita, mas antes um processo gradual de evolução". Já havia, por exemplo, muitas electrónicas no anterior The Suburbs, mas o que aconteceu foi que não foram "tão puxadas para a frente". Foi mesmo um processo "natural" de evolução do som, como descreve.

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