80 mil pessoas na Bela Vista viram Justin Timberlake

Uma estreia triunfal do cantor norte-americano, que provou um domínio de palco verdadeiramente impressionante.

Não é de admirar que Justin Timberlake tenha sido o segundo nome que mais pessoas levou este ano até ao Rock in Rio-Lisboa, tendo sido ultrapassado somente pelos veteranos Rolling Stones. São raros os espetáculos como o que apresentou no Parque da Bela Vista, espetáculos que sejam um reflexo de uma visão musical focada e extremamente personalizada e não apenas um repetir de fórmulas gastas.

Destaca-se, desde logo, o extremo domínio de palco, de como gere com precisão pop, mas tal como um maestro, as diversas dinâmicas criadas pelo coro de bailarinos e pela grande banda - os Tennessee Kids - que o acompanham. O cantor consegue ainda aliar de forma muito intuitiva as coreografias com a interpretação do seu repertório, sem nunca perder o fôlego ao longo de mais de uma hora e meia.

Aliado ao facto de ser um performer de um nível que, hoje em dia, é só comparável ao de Beyoncé, está também o alinhamento notável que apresentou. Foi um concerto com um autêntico registo best of, mas que proporciona diversas dinâmicas ao logo do espetáculo, tornando-o ainda mais rico.

Apareceu em palco ao som da soul dourada e glamourosa de Pusher Love Girl mas em pouco tempo voltou ao início da sua carreira a solo com Rock Your Body (e, pelo meio, ouviram-se ecos de Gimme What I Don't Know I Want). Aliás, durante todo o concerto Timberlake ia interligando os temas como se eles dependessem uns dos outros, trabalho este que o cantor já vinha aprimorando nos seus álbuns de estúdio. No entanto, conseguir o mesmo feito em palco é de aplaudir.

Não foram necessários trabalhos em vídeo, malabarismos pirotécnicos ou outras distrações visuais. Porque o espetáculo desta The 20/20 Experience World Tour assenta, acima de tudo, no poder de Justin Timberlake enquanto performer (nas suas mais diferentes facetas) e no conjunto de músicos e bailarinos que tem ao seu lado. Mesmo sendo uma voz claramente pop, as suas canções são herdeiras da excelente herança da música negra americana e o próprio assume-o quando, depois da sucessão imbatível de duas canções que passou por Holy Grail (original de Jay Z, no qual participa) e Cry Me A River, o cantor se entregou a Shake Your Body, dos Jackson 5 e, um pouco mais à frente, a Human Nature, de Michael Jackson. Pelo meio, de guitarra em punho, fez ainda uma excelente versão de Heartbreak Hotel, de Elvis Presley.

Canções como Love Stoned ou What Goes Around, por exemplo, ganharam também novas roupagens em palco, o que evidencia ainda mais o carácter inventivo que Justin Timberlake mantém.

Nesta que foi a sua estreia em palcos portugueses o músico foi acolhido por 80 mil pessoas, tendo conseguido sempre manter a multidão visivelmente entusiasmada e entregue ao espetáculo, que viveu o seu momento mais épico durante as três canções finais: Suit & Tie,Sexy Back e Mirrors. Justin Timberlake ficará certamente na história nesta celebração de dez anos do Rock in Rio-Lisboa e dificilmente se encontraria melhor voz para encerrar este marco.

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