58 mil para Queens of the Stone Age na Cidade do Rock

Até às 21.00 já tinham comparecido no Parque da Bela Vista 58 mil pessoas, segundo dados divulgados pela organização.

A certa altura Josh Homme, o líder incontestável dos Queens of the Stone Age, começou uma breve troca de galhardetes com um dos espectadores que se encontrava na primeira fila e que lhe terá mostrado o dedo do meio. Pouco depois atira o copo de tequila que estava a beber ao chão e "atira-se" a mais uma das canções corpulentas do repertório do grupo norte-americano. Passadas quase duas décadas desde que o músico californiano fundou os Queens of the Stone Age, estes mantêm-se como um grande símbolo do que ainda resiste hoje em dia de espírito rock'n'roll, com todos os excessos a que isso obriga. Josh Hommme mostrou que é a prova viva dessa premissa.

Neste regresso a palcos portugueses os Queens of the Stone Age não precisaram de um espetáculo dominado por artifícios pirotécnicos, por jogos de luzes aparatosos ou por jogos de sedução com o público onde todos os diálogos são ensaiados e premeditados. Apresentaram sim um espetáculo rock'n'roll no verdadeiro sentido da palavra, herdeiro da herança rock californiana até à medula.

O facto de terem começado quando a luz do dia ainda irradiava podia funcionar contra a banda, mas Josh Homme é uma figura demasiado carismática para deixar que isso aconteça. E o público, mesmo que maioritariamente fã dos Linkin Park, não deixou de, progressivamente, deixar conquistar-se pelas canções da banda norte-americana que, apesar das muitas mudanças de formação que sofreu ao longo dos últimos anos, mantém uma força e uma consistência impressionantes.

Apesar de ainda andarem em digressão a apresentar as canções do último álbum, ...Like Clockwork (2013), o grupo não deixou de passar por algumas das canções mais marcantes do seu percurso. Go With the Flow, por exemplo, foi logo a segunda do alinhamento. Para a recta final deixaram No One Knows e Song for the Dead, esta última dando largas ao ímpeto inventivo de todos os músicos, que em total simbiose se deixaram levar por um devaneio assente no rock mais musculado.

Josh Homme estava visivelmente entusiasmado com o espetáculo e afirmou a certa altura ao público: "Olhem à vossa volta, vejam quão bonitos somos juntos, não se esqueçam disso." E foi, definitivamente, um daqueles concertos que ficará na memória de quem o viveu.

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