23 mil celebraram vida e obra de António Variações

A Homenagem a António Variações, com Gisela João, Deolinda, Linda Martini e Rui Pregal da Cunha, inaugurou o Palco Mundo da Cidade do Rock.

Há 30 anos Rui Pregal da Cunha e Paulo Pedro Gonçalves, antigos membros dos Heróis do Mar, juntavam-se a António Variações para consigo gravar o álbum Dar & Receber (1984), o último que o músico editou em vida. Hoje ao final do dia os dois músicos voltaram a juntar-se, na homenagem que o Rock in Rio-Lisboa organizou para inaugurar o Palco Mundo, tendo não só recuperado a canção que deu título ao já referido disco, mas passando ainda por Erva Daninha (do mesmo álbum) e Estou Além (esta ao lado dos Deolinda).

Rui Pregal da Cunha recordou assim "o amigo António" e salientou como as suas "canções são sobre Portugal e os portugueses e por isso nós cantamo-las". E passados 30 anos desde o seu desaparecimento foi bem visível como a obra de Variações se mantém viva, mesmo entre gerações que não o acompanharam na época.

Gisela João, que tinha apenas meses de vida quando o músico morreu, é a prova disso mesmo. Ainda que não fosse fadista, a verdade é que a música de António Variações tinha em si muito de fado, daí que a inclusão de Gisela João neste tributo tenha ocorrido com tanta naturalidade, a mesma com que a intérprete deu uma outra vida a canções emblemáticas como Quero é viver (a primeira do concerto), Anjinho da Guarda e Adeus que me vou embora, esta última já acompanhada pelos Linda Martini.

Estes, por sua vez, transformaram Toma o Comprimido e Visões Ficções em autênticas canções pós-rock, mostrando assim como a música de Variações continua apta a novas e diferentes leituras. O que vai ao encontro do que afirmou o músico Paulo Pedro Gonçalves ao DN, pouco antes do início do espetáculo: "O sinal de boa composição destas canções é que podemos moldá-las a estilos diferentes, porque ninguém está a tentar imitar o que ele fez, mas sim construir uma coisa nova."

O vocalista dos Linda Martini, André Henriques, aproveitou até a ocasião para também fazer o seu comentário político, afirmando que "neste País parece que discos não são cultura", tendo ainda salientado como os discos e a música de António Variações "ficam para sempre".

E se existem canções que estão, definitivamente, entranhadas na memória popular portuguesa são O Corpo É que Paga ou É Pra Amanhã, que no Parque da Bela Vista foram revisitadas pelos Deolinda. No final todos se juntaram em palco ao som de Amália Na Voz, aproveitando Rui Pregal da Cunha o momento para tirar a tão em voga fotografia selfie, com o recinto da Cidade do Rock como pano de fundo, que até ao final da tarde já tinha recebido mais de 23 mil pessoas, segundo dados divulgados pela organização.

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