Mundo da política elogia a "figura ímpar" e a sua obra

Unanimidade dos vários quadrantes políticos quanto à importância do legado de Manoel de Oliveira, que hoje morreu aos 106 anos.

Cavaco Silva (presidente da República)

"Foi com profundo pesar que tomei conhecimento da morte de Manoel de Oliveira, símbolo maior do cinema português no mundo e um dos nomes mais significativos na história da 7ª Arte. Portugal perdeu um dos maiores vultos da sua cultura contemporânea que muito contribuiu para a projeção internacional do país", afirmou o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, numa mensagem que leu no Palácio de Belém. O realizador, disse, "é um exemplo para as gerações futuras", na medida em que até ao fim da vida "teve projetos de futuro e foi sempre capaz de ultrapassar as dificuldades".

Assunção Esteves (presidente da Assembleia da República)

"Manoel de Oliveira deixa-nos o sublime da sua arte, uma arte que a todos nos libertava na sua infinita perfeição. Como se o cinema que criou, por todos reconhecido, fosse a memória da nossa própria transcendência e o exemplo para a projetarmos nas coisas que fazemos.", refere Assunção Esteves, numa mensagem de condolências enviada à imprensa.

Pedro Passos Coelho (Primeiro-Ministro)

"A Cultura portuguesa perdeu hoje uma das suas figuras maiores", lê-se numa nota divulgada pelo gabinete do chefe do executivo PSD/CDS-PP, na qual o primeiro-ministro se refere a Manoel de Oliveira como "a figura decisiva do cinema português no século XX" e como "obreiro central da afirmação da cinematografia portuguesa a nível internacional e, através do cinema, da cultura portuguesa e da sua vitalidade". Para Pedro Passos Coelho, "a sua capacidade de criação de novas linguagens cinematográficas e a sua paixão pela sétima arte projetaram Portugal no Mundo" e "a sua obra continuará, certamente, a influenciar gerações de realizadores, atores, produtores e praticantes do cinema em geral". "O património cinematográfico de décadas de trabalho laborioso que nos deixa é hoje património de nós todos", acrescenta o chefe do executivo PSD/CDS-PP, apresentando condolências à família de Manoel de Oliveira "e a todos os que, de alguma forma, tiveram o privilégio de conhecer e acompanhar o homem e a sua obra".

Paulo Portas (vice-primeiro-ministro e líder do CDS)

"Manoel de Oliveira é o nosso exemplo, na arte e na vida, de longanimidade: o fruto do espírito de quem tem grandeza de ânimo. Portanto, algo ainda maior do que a longevidade", declarou Paulo Portas, para quem o cineasta "acreditou e viveu a sua arte, com paciência perante a incompreensão e a dificuldade, com uma certa ideia de cinema, numa certa ideia de Portugal - um cinema de atores, de texto, de composição". "Se quisermos, cinema de culto, com que Manoel de Oliveira, inúmeras vezes galardoado e celebrado, premiou Portugal. A sua vida longa, esse 'capricho da natureza' como dizia, realizou no cinema 'o espelho da vida'", declarou.

Jorge Barreto Xavier (secretário de Estado da Cultura)

"Portugal perde um dos referenciais do século XX e um dos homens que, de forma continuada, durante quase nove décadas, dedicou apaixonadamente a sua vida à arte do cinema, criando obras que são hoje património cultural português", assinalou Jorge Barreto Xavier, que sublinhou ainda o "estilo e uma linguagem distintiva que são exemplares enquanto representação do poder de criação humana".

"Esteve presente nos grandes momentos da história do cinema português no século XX e contribuiu de forma decisiva para a visibilidade da cinematografia portuguesa na Europa e no Mundo. O seu trabalho e a sua influência em gerações de criadores e produtores fazem dele uma das raízes para a compreensão e para a leitura da cultura contemporânea portuguesa", acrescentou o tutelar da cultura no Governo. Barreto Xavier concluiu, na nota oficial: "O património criado por Manoel de Oliveira é de tal dimensão, que cuidar dele e projetá-lo é tarefa que nos compromete no presente e para o futuro".

António Costa (secretário-geral do PS)

"Manoel de Oliveira, para além de um absoluto mestre da sétima arte, é um nome que granjeou o carinho dos portugueses ao longo de uma carreira notável que fez dele uma referência de Portugal à escala internacional. Oliveira teve direito a um reconhecimento global, quer pelos seus pares, quer por todos os amantes do cinema", apontou o secretário-geral do PS.

Luís Montenegro (líder da bancada parlamentar do PSD)

"Trata-se de uma grande perda para Portugal, de uma figura ímpar da cultura portuguesa e da cultura mundial, com um percurso reconhecido quer no plano nacional quer no plano internacional, que deixa a cultura portuguesa mais pobre", afirmou Luís Montenegro. "Estamos convencidos que ele hoje partiu, mas a sua obra permanecerá imortalizada para todo o sempre e será eterna no coração e no pulsar da vida dos portugueses", declarou.

Teresa Caeiro (deputada do CDS)

"Julgo que de alguma forma todos nos convencemos que Manoel de Oliveira era imortal, e apesar da sua idade, esta notícia não deixa de nos chegar como uma tristíssima surpresa. Mas Manoel de Oliveira é imortal, a sua obra vai perdurar para sempre", declarou Teresa Caeiro. "Devemos sentir um grande pesar, uma grande pena, mas um grande orgulho na sua obra, orgulho relativamente à obra e ao legado de um português como nós", reforçou.

Catarina Martins (porta-voz do Bloco de Esquerda)

"Bem sei que Manoel de Oliveira já tinha 106 anos, mas confesso que acreditava que este dia nunca chegava e acho que há mais pessoas que pensam isso, habituámo-nos a ver Manoel de Oliveira como estando sempre aqui, sempre a filmar, é com certeza alguém que mais do que moldar o cinema nacional é um grande cineasta europeu, que faz toda a diferença sobre o que é hoje o cinema e a cultura na Europa", afirmou. "Agora tenhamos nós metade da energia e determinação de Manoel de Oliveira, do seu humor, da sua grande vontade de viver, para que possamos ver todos os seus filmes, do Aniki Bóbó, ao Gebo e a Sombra, ao Velho do Restelo, porque é isso que precisamos de fazer", disse a líder bloquista.

Paula Santos (deputada do PCP)

"Falamos de uma figura ímpar da cultura portuguesa e é por isso que o PCP lamenta profundamente o seu falecimento", afirmou a deputada comunista Paula Santos.

Inês de Medeiros (deputada do PS)

"Manoel de Oliveira foi um dos mais extraordinários artistas, mas importa também recordar a pessoa que era, a sua luta intransigente pela liberdade criativa, a sua resistência a todos os anos em que não pôde filmar, a forma delicada como sempre resistiu, não cedeu e defendeu aquilo que entendeu que devia ser a sua arte", declarou Inês de Medeiros.

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