MUDE recebe espólio de António Garcia

Museu assinou protocolo para  receber várias obras do 'designer' português.

O Museu do Design e da Moda (MUDE), em Lisboa, celebra hoje um protocolo com António Garcia para receber o espólio do designer, um legado que abrange mais de 40 anos, e que se encontra em exposição desde Abril.

Com um total de 150 trabalhos, a exposição intitula-se "Zoom In/Zoom Out" e está patente ao público no MUDE para mostrar uma retrospectiva da vasta obra de um designer considerado pioneiro nesta área, em Portugal, a par de Daciano da Costa e António Sena da Silva.

"Zoom In/Zoom Out", que cobre o período de trabalho de 1950 a 1990, tem este título porque o visitante é convidado a apreciar as obras do criador nas várias escalas, desde os desenhos de selos aos projectos de arquitectura, de forma a apreendê-las na sua globalidade.

Quando a exposição foi inaugurada, António Garcia recordou, sobre a sua longa carreira, que gostou de fazer "quase tudo" o que lhe pediram, desde artes gráficas a embalagens, como as emblemáticas imagens dos cigarros que desenhou para a Tabaqueira: o SG Ventil e Gigante (1964) e o Sintra (1965). "Mas talvez tenha sido a arquitectura a minha preferida", apontou, na altura, em declarações à agência Lusa.

António Garcia, 84 anos, considera "interessante" a grande procura e a divulgação que o design tem tido nos últimos anos em Portugal, com o aumento do número de jovens a estudar nesta área. "Claro que no meu tempo era diferente. Quando eu comecei, partimos praticamente do nada. As técnicas evoluíram extraordinariamente", comparou.

Nascido em 1925, em Lisboa, António Garcia tem vindo a desenvolver, ao longo de mais de meio século, uma "vasta, fértil e diversificada" obra de design e arquitectura, salienta o comissariado da exposição.

António Garcia frequentou nos anos 1940 o curso de Desenhador Litógrafo na Escola António Arroio, onde teve como professores o mestre Rodrigues Alves e os pintores Aires de Carvalho, Estrela Faria e Lino António.

Colaborou com António Sena da Silva em projectos de design gráfico nos anos 50, e no final dessa década abriu atelier próprio na Avenida da Liberdade, em Lisboa. Em 1974 associou-se a Daciano da Costa na direcção do Gabinete de Design Risco - Projectistas e Consultores de Design.

A criação da cadeira Gazela (1955), das mesas empilháveis Cubox'4 e os cadeirões Relax (1970) são alguns dos seus modelos mais emblemáticos.

Entre os seus projectos de arquitectura destacam-se a Fábrica de refrigerantes Canada Dry, (1956), em Vila Franca de Xira, o complexo turístico Aldeia dos Navegantes (1971), em Vilamoura, e a moradia particular Vieira Borges (finais anos 70), em Cascais.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG