Morricone: Música para os nossos ouvidos

Aos 87 anos, muitas bandas sonoras depois, chega a estatueta dourada

Para inferir o contributo que Ennio Morricone já deu ao cinema, todas as páginas do jornal não chegariam. O compositor italiano de 87 anos que ontem, confirmando o desejo de Tarantino, recebeu a estatueta dourada pela banda sonora original de Os Oito Odiados, é um dos mais prolíferos autores musicais para a sétima arte em atividade, e o mais velho vencedor na história dos Óscares, depois de Christopher Plummer, que recebeu aos 82.

Sem nunca se vincular a um género, o nome de Morricone surge em projetos tão diversos quanto os seus realizadores, como se confirma pela ligação a Pier Paolo Pasolini, com as composições para Passarinhos e Passarões (1966) e Teorema (1968), a Marco Ferreri, para O Harém (1967), ou a Sergio Leone, para os lendários - entre outros - western spaghetti: O Bom, o Mau e o Vilão (1966) e Aconteceu no Oeste (1968). Mas a pluralidade não fica por aqui. Também um dos grandes mestres do terror, John Carpenter, beneficiou da sua música para Veio do Outro Mundo (1982), e, na outra extremidade do imaginário cinematográfico, encontramos a colaboração com Giuseppe Tornatore, no Cinema Paraíso (1988). Imagine-se agora a lista de mais de 500 filmes com bandas sonoras suas, de onde estes são convocados apenas como uma amostra possível.

A Academia distinguiu-o em 2007 com um prémio honorário, mas esta é a primeira vez que Ennio Morricone sai realmente vencedor, 37 anos após a primeira nomeação, por Dias do Paraíso, de Terrence Malick. Seguiu-se A Missão (1986), de Roland Joffé, Os Intocáveis (1987), de Brian de Palma, Bugsy (1981), de Barry Levinson, e Malèna (2000), de Giuseppe Tornatore. Filmes que o iluminaram, como disse ontem: "Não existe uma grande banda sonora sem um grande filme que a inspire."

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