Morreu Ultra Violet, ícone de Warhol e musa de Dalí

Isabelle Collin Dufresne, artista, atriz e autora conhecida como 'Ultra Violet', uma das superestrelas de Andy Warhol e importante elemento da história da Factory, o estúdio de Warhol, morreu no sábado aos 78 anos, num hospital em Manhattan, EUA, noticiou o 'New York Times'.

Ultra Violet conheceu Andy Warhol em 1964, quando tomava chá no hotel St. Regis com o seu então mentor, o artista Salvador Dalí, de quem era musa desde os 20 anos. Warhol manifestou, imediatamente, a vontade de ver Dufresne nos seus filmes. Assim, no segundo filme do mestre da Pop Art em que participava, 'I, a Man' (1967), que contava também com Nico e Valerie Solanas (que, como lembra o 'New York Times', viria mais tarde a alvejar Warhol, não o matando), nascia Ultra Violet. Cabelo e maquilhagem carregada em tons violeta caracterizavam daí em diante um dos ícones da Factory.

Depois de uma experiência de "quase-morte" em 1973, o discurso de Dufresne passou a condenar e a revelar arrependimento pela sua participação no abuso de drogas, orgias e hedonismo que caracterizaram a "era dourada" da Factory. Mais tarde, veio a juntar-se à igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, conhecida habitualmente como Igreja Mórmon.

Isabelle Dufresne, que nasceu a 6 de setembro de 1935, em La Tronche, França, contava que as suas tendências rebeldes eram de tal sorte que levaram a uma sessão de exorcismo por parte de um padre da Igreja Católica, a pedido dos seus pais. Aos 16 anos, depois de passar por um reformatório, os pais acabariam por enviá-la para Nova Iorque: o início do percurso que a levaria até ao surrealista Dalí, aos 20 anos e, mais tarde, até aos excessos da Factory de Andy Warhol. A morte da "superestrela" de Warhol, Ultra Violet, foi confirmada ao jornal 'New York Times'pelo seu amigo William Butler. A prima de Dufresne, Carole Thouvard Revol, apontou depois o cancro como causa de morte.

O seu livro de memórias, Famous for 15 minutes: My Years With Andy Warhol (15 minutos de fama: os meus anos com Andy Warhol), publicado em 1988, além de nomear o rol dos seus casos amorosos, que a Dalí junta, por exemplo, o bailarino Rudolf Nureyev e o artista Ed Ruscha, foca o seu retorno à religião e classifica a sua conduta durante a era Warhol como a de "uma exibicionista à caça de manchetes". Em 2011, no documentário de David Henry Gerson 'Ultra Violet for Sixteen Minutes' ('Ultra Violet por 16 minutos'), a superestrela e ícone de Warhol afirmava que "à medida que nos aproximamos da nossa verdadeira natureza, somos mais felizes."

Como atriz contou participações em 17 filmes, entre eles um pequeno papel em 'Taking Off' (1971) de Milos Forman e outro em 'An Unmarried Woman' (1978), de Paul Mazursky. Ultra Violet, a quem foi dedicada recentemente uma exposição em Nova Iorque, na Dillion Gallery, intitulada 'Ultra Violet: The Studio Recreated', com uma seleção das suas esculturas, desenhos e filmes, trabalhou até à morte como artista plástica. Entre os temas presentes na sua obra figuram a religião, manifesta diversas vezes na presença do céu e do Rato Mickey com asas de anjo, e os atentados de 11 de setembro de 2001.

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