Morreu o realizador Jacques Rivette

O realizador francês tinha 87 anos.

O francês Jacques Rivette, um dos realizadores emblemáticos da Nouvelle Vague, morreu hoje, com 87 anos, noticia o jornal Le Monde.

Nascido em 1926, de nome verdadeiro Pierre Louis Rivette, começou a sua carreira como assistente de realizadores consagrados, como Jean Renoir e Jacques Becker. Colaborou nos célebres "Cahiers du Cinéma", onde pontificavam também François Truffaut, Claude Chabrol e Eric Rohmer, e foi um dos pais da Nouvelle Vague que marcou a cinematografia francesa dos anos 60.

Na sua primeira longa-metragem, Paris Nous Appartient (1960), ficou patente uma complexidade narrativa que viria a marcar a filmografia futura de Rivette. Seguiu-se a sua obra mais célebre: La Religieuse (1966), uma drama psicológico sobre uma jovem noviça que é sujeita a torturas e perseguida em diversos conventos, não abdicando porém da sua Fé. Proibido na altura da sua estreia devido ao seu teor profundamente anticlerical, só a intervenção de Charles De Gaulle e a pressão do meio intelectual fez com que o filme fosse exibido comercialmente no ano seguinte, tendo sido um sucesso de bilheteira.

Seguiram-se outras obras controversas como L'Amour Fou (1968), com quatro horas de duração, e a comédia surrealista Céline et Julie Vont en Bateau (1974), sobre uma bibliotecária que é arrastada para um mundo de fantasia.

Veja uma cena de L'Amour Fou:

Ao longo da sua carreira, Jacques Rivette recebeu vários prémios, incluindo em em 1989 o prémio Fipresci do Festival de Berlim com La Bande des Quatre e o Grande Prémio do Júri de Cannes em 1991 com La Belle Noiseuse,um filme com Michel Picoli e Jane Birkin:

"De todos os mestres da Nova Vaga francesa, Jacques Rivette (nascido a 1 de Março de 1928, em Rouen, na Normandia) é aquele que se manteve mais fiel a um tema único, recorrente e obsessivo: as formas de representação, os actores, o teatro, a sua sedução e também todas as suas frondosas ambiguidades", escreveu João Lopes em 2010, a propósito da estreia do último filme de Rivette, 36 Vistas do Monte Saint-Loup.

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