Morreu o compositor e maestro Pierre Boulez

O músico francês Pierre Boulez tinha 90 anos.

A notícia foi avançada pelo jornal Le Monde, que se refere a Boulez como um nome incontornável na vanguarda musical da segunda metade do século XX.

Pierre Boulez nasceu a 26 de março de 1925, estudou música no Conservatório de Paris, sob direção de Olivier Messiaen e Andrée Vaurabourg e estudou dodecafonismo com René Leibowitz. Em 1948, tornou-se diretor de música da Companhia Renaud-Barrault, no Teatro Marigny, em Paris. No fim da década de 40 e no início da década de 50, compôs várias peças baseadas no novo sistema do dodecafonismo. Foi influenciado fundamentalmente por Stravinsky, Messiaen, Schönberg e Webern, mas foi deste último que adquiriu a ideia de um sistema serial generalizado sobre as alturas, durações, intensidades e timbres.

Empenhado em difundir a música contemporânea, Pierre Boulez criou, em 1954, os concertos do Domaine Musical, que dirigiu até 1967, o Institut de Recherche et Coordination Acoustique/Musique (1976, IRCAM), com sede no Centro Georges Pompidou, e do qual foi diretor até 1991, e o Ensemble Intercontemporain (1976). Esteve ainda associado a importantes projetos de difusão da música, como a criação da Ópera da Bastilha e da Cité de la Musique, em La Villettte, Paris.

Em 1971 foi nomeado maestro titular da Orquestra Sinfónica da BBC e diretor musical da Orquestra Filarmónica de Nova Iorque (1971-1977).

Veja Pierre Boulez a dirigir a Orquestra de Paris no Louvre, numa interpretação de O Pássaro de Fogo de Stravinsky.

Visitante frequente de Portugal, sobretudo para colaborar com a Fundação Calouste Gulbenkian, Pierre Boulez foi o artista associado do Ano França (2012) na Casa da Música, mas razões de saúde impediram a sua deslocação ao Porto, para dirigir a execução das suas obras. Entre tantos prémios internacionais, em janeiro de 2001, Boulez recebeu do Presidente da República portuguesa, Jorge Sampaio, a Grã-Cruz da Ordem de Santiago.

De acordo com o site da Gulbenkian, as gravações de obras de Pierre Boulez constituem uma importante discografia, compreendendo o seu catálogo mais de trinta obras, desde as peças para solista (Sonata para Piano, Dialogue de l'ombre double para clarinete, Anthèmes para violino) às obras para grande orquestra e coro (Le Visage nuptial, Le Soleil des eaux), ou para agrupamentos instrumentais e electrónica (Répons, ...explosante-fixe... ). A obra Dérive 2 foi estreada em Lucerna, em setembro de 2002.

Veja o que Pierre Boulez diz sobre o seu trabalho numa entrevista para a Universal Edition:

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