Miguel Loureiro viaja de Paris a Lisboa com Sarah Bernhardt

Camané, Cristina Branco, Clara Andermatt e outros artistas portugueses no Chantiers d'Europe, em Paris, de 11 de maio a 4 de junho.

Quando vinha a Lisboa, Sarah Bernhardt chegava de comboio à estação do Rossio e ia a pé para o hotel Avenida Palace, mesmo ali ao lado, acompanhada por um criado negro que só cuidava dos cães, e seguida por uma série de outros criados e criadas que carregavam as malas e tratavam do seu bem estar. O encenador Miguel Loureiro descobriu estes pormenores enquanto preparava o seu próximo espetáculo, Paris > Sara > Lisboa, que tem como personagem central a atriz francesa (1844-1923) que foi uma das primeiras divas dos palcos mundiais, e que como o próprio nome indica vai ser apresentado em duas fases: no próximo dia 11, vai abrir a programação dos Chantiers d"Europe (Estaleiros da Europa), no Théâtre de la Ville, em Paris, e depois, em fevereiro de 2017, terá uma versão mais desenvolvida no Teatro São Luiz, em Lisboa.

"Como vão fechar o Théâtre de la Ville para obras, eles queriam fazer qualquer coisa com a memória de Sarah Bernhardt, usando aquele espaço onde hipoteticamente terá sido o camarim dela. E depois surgiu a ideia de fazer a ligação ao Teatro São Luiz, onde ela se apresentou quatro vezes e até tem lá uma placa e tudo", explica Miguel Loureiro.

Para escrever o texto, esteve em Paris em fevereiro, visitou os locais relacionados com Sarah Bernhardt e comprou "sete quilos" de livros, entre os quais a autobiografia dela, "bastante fantasiada". Este primeiro momento será ainda um "projeto de espetáculo" em que a atriz francesa Astrid Bas conduz os espetadores num percurso pelo camarim e pelas memórias de Sarah Bernhardt. Serão pequenas sessões, ao final do dia, entre 11 e 14 de maio. Depois, o projeto será desenvolvido e apresentado no próximo ano, pelos vários espaços do Teatro São Luiz, com a atriz Beatriz Batarda.

É, portanto, com Paris > Sara > Lisboa, um espetáculo que faz a ligação entre Paris e Lisboa que abre mais uma edição dos Chantiers d"Europe, um festival dirigido por Emmanuel Demarcy-Mota que desta vez junta, no Théâtre de la Ville e noutros espaços, espetáculos de Portugal, Suécia, Polónia, Grécia e Itália, com o objetivo de dar "outras visões de uma Europa aberta, livre, inventiva, acolhedora, unida".
Além deste espetáculo sobre Sarah Bernhardt, Miguel Loureiro apresenta ainda Do Natural (dias 18 e 19),uma produção de 2015 a partir de textos de W.G. Sebald. De Portugal, irão ainda Joana Craveiro com Um Museu Vivo de Memórias Pequenas e Esquecidas (nos dias 20 e 21) com "testemunhos para contar a história do Portugal de ontem e de hoje", nomeadamente de "portugueses que emigraram para França"; a coreógrafa Clara Andermatt leva o espetáculo Fica no Singelo (dia 23), no qual revisita as danças e as músicas tradicionais portuguesas; e Miguel Fragata e Inês Barahona apresentam A Caminhada dos Elefantes (dias 26 e 27), "um espetáculo feito de objetos, sombra e poesia", para falar da morte e do luto aos espetadores mais jovens.

O Teatro Praga, que se apresenta nos Chantiers d"Europe pelo quarto ano consecutivo, vai estrear em França o seu novo espetáculo, Zululuzo, partindo da juventude de Fernando Pessoa na África do Sul. Vai estar em cena do Théâtre des Abbesses de 31 de maio a 4 de junho.

No que toca à música, o destaque vai obviamente para o fado, com a presença de Camané, José Manuel Neto e Cristina Branco num espetáculo no dia 18.

Os artistas Jorge Jácome, Priscila Fernandes, Pedro Barateiro, Nuno Cera e João Onofre vão apresentar obras em vídeo no Palais de Tokyo, no dia 13, um dia dedicado aos 500 anos da publicação do ensaio Utopia de Thomas Moore. A 28 de maio, Ricardo Cabaça apresenta o texto escrito em residência artística no Théâtre de la Ville, intitulado Naufragés (Náufragos). O Théâtre des Abbesses tem, ainda, a 3 de junho, uma sessão de leitura da correspondência entre Sonia Delaunay e Amadeo de Souza-Cardoso, numa altura em que está patente, até 18 de julho, uma exposição dedicada ao pintor português no Grand Palais, em Paris.

Veja AQUI a programação completa do Chantiers d'Europe.

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