Marcelino Sambé dança no Natal no São Carlos

O teatro de ópera lisboeta divulgou as suas temporadas lírica e sinfónica, já com o "dedo" de Patrick Dickie, programador convidado. Início é com a popular "Madama Butterfly", de Puccini

O nome que tinha sido anunciado sempre se confirma: Patrick Dickie. O britânico terá o cargo de "programador convidado" do Teatro Nacional de São Carlos até final da próxima temporada (ler entrevista na edição de dia 31 do DN). Foi a solução encontrada pela tutela para colmatar o vazio deixado na condução artística do único teatro de ópera português desde a resignação voluntária de Paolo Pinamonti do cargo de consultor artístico, no final de 2014. O que quer dizer que se prolonga por mais um ano a ausência de um efetivo diretor artístico do Teatro, cargo inscrito nos estatutos fundadores do Opart (entidade que gere o São Carlos e a CNB), isto numa altura em que o secretário de Estado, Jorge Barreto Xavier, anunciou a abertura de um concurso internacional para escolha de um diretor artístico para o TNSC, efetivo a partir da temporada 2016-17.

A temporada lírica ora revelada abre a 20 de outubro com a "Madama Butterfly", de Giacomo Puccini, um dos mais populares títulos do repertório, que terá sete récitas. A produção vem da Opera North (Leeds, Inglaterra), com encenação assinada por Tim Albery e terá por maestro um regressado: Domenico Longo.

Depois, haverá que esperar até 3 de fevereiro para ver de novo ópera no São Carlos: essa é a data de estreia de uma nova produção do "Dialogue des Carmélites", de Francis Poulenc, que terá encenação de Luís Miguel Cintra e um elenco 100% português. Um mês depois, nova raridade por cá: a "Iphigénie en Tauride", de Christoph W. Gluck, que estreia uma encenação de James Darah. No início de abril, chega ao Largo de São Carlos um título que já vimos na Fundação Gulbenkian, há uns anos, então como desta vez dirigido por Joana Carneiro: chama-se "A flowering tree" e foi escrita em 2006 pelo norte-americano John Adams, compositor de que Joana é uma das paladinas internacionalmente.

A temporada fecha em junho com o sempre espetacular e popular "Nabucco", de Verdi, com Elisabete Matos no principal papel e direção musical do experiente Antonio Pirolli.

Pelo meio, há um teatro musical chamado "O Canto da Europa" da autoria de Nuno Maló, sobre texto de Jacinto Lucas Pires. Encomenda conjunta do São Carlos e do Dona Maria, os espetáculos realizar-se-ão neste último, em janeiro, sempre sob a direção de Joana Carneiro; e há a recuperação de um título de João Cordeiro da Silva (1735-1808) intitulado "Lindane e Dalmiro", em maio, no Salão Nobre, com direção de João Paulo Santos e encenação de Luca Aprea.

O São Carlos acolhe ainda o "bailado de Natal": é "A Bela adormecida", de Tchaikovsky, com direção musical de Pedro Carneiro e a participação especial do jovem Marcelino Sambé.

A concluir, a estreia mundial de um "cadavre exquis": a fantasia balética "Carnaval", a partir de "O Carnaval dos Animais", de Saint-Saëns, que contou com a colaboração de 12 diferentes compositores portugueses e que terá Cesário Costa na direção e Victor Hugo Pontes na coreografia e direção. Apesar do título, será só em junho (Teatro Camões) e julho (Porto, Rivoli).

A temporada sinfónica alinha dez concertos entre o final de setembro e o final de junho, a que se junta um "Requiem" de Verdi no início de maio. A abertura faz-se-logo em grande, com a "Sétima" de Mahler dirigida por Joana Carneiro no Grande Auditório do CCB.