Manifestantes interrompem inauguração de retrospetiva de Polanski

Cerca de 80 pessoas protestaram junto à Cinemateca francesa. Duas mulheres tiraram as camisolas

Já era de prever que acontecesse, tal foi a contestação antes da inauguração da retrospetiva da obra de Roman Polanski, 84 anos, na Cinemateca Francesa, em Paris, devido às acusações de abusos sexuais de que o cineasta é alvo. Cerca de 80 manifestantes concentraram-se junto àquele espaço, com palavras de ordem e cartazes, obrigando o realizador a entrar pelas traseiras. Duas ativistas do grupo Femen usaram a forma de protesto habitual: tiraram as camisolas e mostraram o tronco nu pintado com slogans.

"Pedófilo muito importante", lia-se no corpo nu de uma destas mulheres. "Se a violação é uma forma de arte dêem todos os Césares a Polanski", dizia um cartaz fazendo referência aos prémios do cinema francês.

Roman Polanski, presente no evento para apresentar o novo filme, Based on a True Story, foi obrigado a entrar na Cinemateca Francesa por uma porta nas traseiras com a ajuda de seguranças. Há uns dias várias associações feministas tinham pedido Cinemateca Francesa para desmarcar a retrospetiva. No entanto, o diretor do espaço repudiou a "lógica de linchamento".

"[A Cinemateca] não dá recompensas nem certificados de boa conduta. A nossa ambição é diferente [e consiste] em mostrar as obras dos cineastas na sua totalidade, colocando-os no fluxo da história permanente do cinema", salientou Fréderic Bonnaud em comunicado.

Na sua perspetiva, "o trabalho de Polanski, que inclui filmes de género e [com] confissões dolorosas, relata as inúmeras tragédias do século XX (...) de forma sublime".

O realizador é acusado de vários crimes sexuais.

A acusação mais recente data do início deste mês quando a polícia suíça anunciou que estava a investigar acusações de agressão sexual feitas por uma mulher que afirma ter sido agredida pelo realizador franco-polaco em Gstaad, em 1972.

Renate Langer, agora com 61 anos, assegura ter sido violada por Polanski quando tinha 15 anos. É a quarta mulher a sair da sombra para acusar o realizador

Em 1977, o cineasta reconheceu ter tido relações sexuais ilegais com Samantha Geimer, então com 13 anos, na casa de Jack Nicholson, em Los Angeles, enquanto este estava fora em viagem.

Em 2010, a atriz britânica Charlotte Lewis declarou que o realizador tinha-a forçado a ter uma relação sexual quanto ela tinha 16 anos.

Uma terceira mulher, identificada como 'Robin', tinha acusado o realizador em agosto de agressão sexual, quando ela tinha 16 anos, em 1973.

Langer justificou ter saído agora do silêncio com as declarações de 'Robin' e porque os seus pais já não estão vivos.

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