Luís Miguel Cintra mantém intenção de fechar Cornucópia

Fundador da Cornucópia já reagiu ao desejo do Presidente da República, de criar um estatuto de exceção para a companhia. Cintra diz que quem tem de recuar é o Ministério da Cultura. O ministro cancelou a agenda e está no teatro esta tarde

Para Luís Miguel Cintra, o encenador e codiretor da Cornucópia, a visita do Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa e do ministro da Cultura Luís Filipe Castro Mendes, foi importante mas não mudou nada nas suas intenções : "não sou eu que tenho de voltar atrás, quem tem de voltar atrás é o ministério da Cultura".

Cintra respondia assim ao repto do Presidente da República que, em visita ao Teatro da Cornucópia esta tarde, propôs a criação de um estatuto de exceção para aquela companhia.

Após uma reunião, promovida pelo Presidente da República, que juntou o ministro da Cultura e a direção da Cornucópia, Luís Castro Mendes admitiu que "as conversações estão em curso, e continuam em curso".

"Hoje, dia 17 de dezembro de 2016, aquilo que eu ouvi dizer foi: nós estamos na disposição de repensar no sentido de continuar. Diz o senhor ministro: pois muito bem, nós estamos a falar, passamos a falar nessa onda. Até agora estávamos a falar na onde de fechar, a partir de agora passamos a falar na onda de não fechar, de fazer, ver se é possível. Eu acho que é isso que importa fazer", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa.

O encenador sublinhou: "isto não é qualquer tipo de chantagem, não é pressão, a única coisa que dizemos é que com o dinheiro que temos não conseguimos continuar a trabalhar como gostamos de trabalhar e por isso optamos por acabar. A economia atual não permite que continuemos como até aqui. Mas pronto, eu e a Cristina [Reis, codiretora] já fizemos muitas coisas. Não vamos ficar aflitos. Quem pode ficar aflito é o nosso público, por nos perder".

Este sábado, a partir das 16.00, o Teatro da Cornucópia apresenta um recital a partir de textos de Guillaume Apollinaire, poeta francês do início do século XX, com encenação de Luís Miguel Cintra e direção do maestro João Paulo Santos. Será a última vez que o público poderá assistir a um espetáculo da companhia fundada há 43 anos. Vai ser ainda lançado o segundo volume do catálogo da atividade da companhia (2001-2016).

Luís Filipe Castro Mendes assiste ao espetáculo numa sala com lotação esgotada. O Ministro da Cultura cancelou a agenda e não seguiu para Castelo Branco para poder estar esta tarde no Teatro da Cornucópia.