Nova tradução de 'Ulisses' chega às livrarias

O editor Francisco Vale acredita que existem leitores suficientes para esgotar a primeira impressão. Aliás, se cada um dos descendentes do ramo dos Joyce que vivem em Portugal comprasse um livro, a edição seria insuficient.

O romance Ulisses é considerado uma das cem obras literárias mais importantes e, ao mesmo tempo, um dos livros mais difíceis de ler. Não é de agora que os leitores abandonam Ulisses mal penetram nas suas páginas e que os editores desistem de o publicar. Mesmo assim, estas premissas não assustaram o editor Francisco Vale, da Relógio d"Água, que há muitos anos mantém o desejo de pôr à disposição dos leitores portugueses praticamente toda a obra do escritor irlandês James Joyce. Designadamente o seu segundo livro mais difícil, o referido Ulisses, já que o mais complexo, Finnegan"s Wake, é um passo ainda em maturação editorial.

Esta intenção de Francisco Vale em relação a Ulisses já conta com vários anos mas o custo dos direitos autorais pedidos pelos herdeiros fez que se tornasse impossível esta verdadeira aventura editorial e que tivesse de aguardar por 2012 para que a sua entrada no domínio público tornasse viável financeiramente a edição de grande parte da obra. Como já foi o caso de Ulisses, nas livrarias há uma semana, antecedido por Dublinenses, Retrato do Artista quando Jovem, Cartas a Nora e Música de Câmara.

Esta segunda tradução de Ulisses para a língua portuguesa - no Brasil existem três - é de autoria de Jorge Vaz de Carvalho, uma versão que Francisco Vale elogia e considera ser bastante diferente da única experiência anterior, a realizada em 1989 por João Palma-Ferreira: "Li aquela tradução, bem como as dos brasileiros António Houaiss e Caetano Galindo, e ao comparar as quatro considero que a de Jorge Vaz de Carvalho é um avanço sobre as outras." A razão é simples, diz: "É aquela em que o tradutor se atreve mais a ir ao encontro do que Joyce escreveu e de todas as ressonâncias culturais sem forçar analogias. Essa audácia foi sempre difícil porque a maior parte dos tradutores esquivaram-se aos problemas fundamentais do livro."

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