Novidades literárias ignoram autores consagrados

Só a escritora Lídia Jorge publicará um romance, 'Os Memoráveis', nesta 'rentrée' literária de 2014. Todos os outros autores portugueses consagrados não têm livros novos ou foram afastados das escolhas que as editoras fizeram para o início deste ano.

As principais apostas das editoras vão para as efemérides do centenário da Grande Guerra e para os 40 anos do 25 de Abril, sendo que a Revolução dos Cravos serve de pretexto para se publicarem duas importantes biografias. A do polémico dirigente comunista Pavel, de autoria de Edmundo Pedro, e a do homem da propaganda de Salazar, António Ferro, de Orlando Raimundo.

Sobre a Revolução será também polémico o livro de memórias do escritor português que vive na Holanda, J. Rentes de Carvalho, que editará em março 'A Flor e a Foice', um acerto de contas com o 25 de Abril. Segundo o autor revela ao DN, o seu livro "não vai ocultar a versão menos folclórica do 25 de Abril e os que do folclore retiraram grande honra e proveito".

Segundo Rentes de Carvalho, o seu relato "trará à tona os nomes de pessoas que até hoje nunca vi mencionadas, mau grado o papel que discreta e eficientemente desempenharam. É um relato fiel do que testemunhei e do que ouvi, acrescentado de informações, documentação a que tive acesso, e também de muito interesse e algum estudo".

Veja a lista das novidades literárias na edição e-paper do DN:

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João Gobern

País com poetas

Há muito para elogiar nos que, sem perspectivas de lucro imediato, de retorno garantido, de negócio fácil, sabem aproveitar - e reciclar - o património acumulado noutras eras. Ora, numa fase em que a Poesia se reergue, muitas vezes por vias "alternativas", de esquecimentos e atropelos, merece inteiro destaque a iniciativa da editora Valentim de Carvalho, que decidiu regressar, em edições "revistas e aumentadas", ao seu magnífico espólio de gravações de poetas. Originalmente, na colecção publicada entre 1959 e 1975, o desafio era grande - cabia aos autores a responsabilidade de dizerem as suas próprias criações, acabando por personalizá-las ainda mais, injectando sangue próprio às palavras que já antes tinham posto ao nosso dispor.