"Natália Correia tinha o defeito fatal da frontalidade"

O escritor Fernando Dacosta disse hoje, em Castelo Branco, que Natália Correia "tinha um defeito que é fatal em Portugal, que é dizer na cara das pessoas o que se pensa delas".

Fernando Dacosta falava durante o Festival Literário de Castelo Branco (FLCB), numa sessão sobre "O Botequim da Liberdade", a sua mais recente obra, publicada em 2013, e que recorda o Bar Botequim, do largo da Graça, nos tempos em que era dirigido pela poetisa Natália Correia.

"Somos um povo manhoso e de hipócritas, que nunca dizemos aquilo que pensamos e quem foge a essa regra tem graves problemas. A Natália teve graves problemas. Criou muitos inimigos que ainda hoje continuam a não lhe perdoar e continuam a persegui-la", disse o escritor, que privou de perto com Natália Correia.

Dacosta referiu que "O Botequim da Liberdade", implica a memória e hoje "a memória é um elemento fundamental que temos que preservar".

O escritor recordou que a própria Natália Correia dizia com muita frequência que ser-se hoje revolucionário é preservar a memória.

"Sem memória não há pensamento, sem pensamento não há ideias e sem ideias não há futuro. Logo, é uma espécie de matéria-prima para o pensamento, sobretudo nesta época em que a identidade portuguesa está a sofrer abanões", disse.

O escritor referiu também que em Portugal "há atualmente um escandaloso e preocupante retrocesso que pode ter consequências muito nefastas" e sublinhou que, hoje, "os poderes políticos comportam-se como se Portugal tivesse nascido com eles depois do 25 de Abril".

"Portugal é o país mais antigo da Europa, tem um povo com uma sabedoria e capacidade de sofrimento e de resistência invulgares, que estão a ser subestimadas pelos atuais poderes que são de uma incultura total, que são de um distanciamento e de um menosprezo para com essa nossa identidade e postura que pode terminar mal".

Fernando Dacosta elogiou o FLCB e disse que se trata de uma iniciativa "muito positiva que entronca nas pessoas locais", ao contrário daquilo que acontece em outras iniciativas do género, "muito fechadas", onde as populações locais não participam.

"Vão lá uma série de escritores e acabamos por estar a falar um pouco uns para os outros. Aqui não", disse.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ferreira Fernandes

A Europa, da gasolina lusa ao palhaço ucraniano

Estamos assim, perdidos algures entre as urnas eleitorais e o comando da televisão. As urnas estão mortas e o nosso comando não é nenhum. Mas, ao menos, em advogado de Maserati que conduz sindicalistas podíamos não ver matéria de gente rija como cornos. Matéria perigosa, sim. Em Portugal como mais a leste. Segue o relato longínquo para vermos perto.Ontem, defrontaram-se os dois candidatos a presidir a Ucrânia. Não é assunto irrelevante apesar de vivermos no outro extremo da Europa. Afinal, num canto ainda mais a leste daquele país há uma guerra civil meio instigada pelos russos - e hoje sabemos, como não sabíamos ainda há pouco, que as guerras de anteontem podem voltar.

Premium

Marisa Matias

Greta Thunberg

A Antonia estava em Estrasburgo e aproveitou para vir ao Parlamento assistir ao discurso da Greta Thunberg, que para ela é uma heroína. A menina de 7 ou 8 anos emocionou-se quando a Greta se emocionou e não descolou os olhos enquanto ela falava. Quando, no final do discurso, se passou à ronda dos grupos parlamentares, a Antonia perguntou se podia sair. Disse que tinha entendido tudo o que a Greta tinha dito, mas que lhe custava estar ali porque não percebia nada do que diziam as pessoas que estavam agora a falar. Poucos minutos antes de a Antonia ter pedido para sair, eu tinha comentado com a minha colega Jude, com quem a Antonia estava, que me envergonhava a forma como os grupos parlamentares estavam a dirigir-se a Greta.

Premium

Margarida Balseiro Lopes

O governo continua a enganar os professores

Nesta semana o Parlamento debateu as apreciações ao decreto-lei apresentado pelo governo, relativamente à contagem do tempo de carreira dos professores. Se não é novidade para este governo a contestação social, também não é o tema da contagem do tempo de carreira dos professores, que se tem vindo a tornar um dos mais flagrantes casos de incompetência política deste executivo, com o ministro Tiago Brandão Rodrigues à cabeça.