José Rodrigues dos Santos inspirou-se no pai para escrever "O Anjo Branco"

O protagonista deste oitavo romance do autor chama-se José Branco, um médico que foi viver para Moçambique na década de 1960 e que, perante as enormes carências sanitárias do país, criou o revolucionário Serviço Médico Aéreo, deslocando-se num pequeno avião, o que lhe valeu o epíteto de "anjo branco", por descer do céu vestido de branco.

"Inspirei-me no meu pai: o romance conta a história de um médico que é punido pela administração colonial e enviado para Tete, um sítio perdido no coração de África conhecido por 'o cemitério dos brancos'", disse o autor em entrevista à Lusa, em Outubro de 2010, dias antes da publicação do livro.

O escritor e jornalista da RTP, de 46 anos, decidiu contar esta história inspirada em factos reais por considerar que "estava por escrever o grande romance português sobre a Guerra Colonial".

"Fico com a impressão de que a literatura que se produziu sobre o assunto é complexada e colorida ideologicamente, com 'bons' de um lado e 'maus' do outro, ou então é bacocamente saudosista", defendeu.

"Eu quis fugir a esses dois registos - sublinhou -, quis escrever um romance descomplexado que mostrasse as grandezas e as misérias, e também as contradições da nossa presença em África. Quis sobretudo escrever um romance como nunca tinha sido escrito sobre a guerra colonial e os Portugueses em África".

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