Ian McEwan ilumina portugueses com 'Solar'

O novo Ian McEwan tem lançamento marcado para hoje. Excepcionalmente, o português foi privilegiado e a Gradiva aproveitou.

O escritor britânico Ian McEwan tem muitos leitores em Portugal e, talvez por essa razão, oferece-lhes algumas referências no novo romance Solar sobre o nosso país. Os portugueses, que gostam muito de ver a pátria reconhecida por estrangeiros, agradecem e devem proporcionar a Solar o bom acolhimento que já deram a Expiação, Na Praia de Chesil ou, há bem mais tempo, a Amesterdão.

Desta vez, há mais uma razão para ler a prosa de um autor sobre o qual se fazem trocadilhos fáceis - tal como Ian Macabro - e se escrevem resenhas literárias cautelosas, devido à densidade e temáticas da sua narrativa. É que o leitor nacional tem o privilégio de ter o livro ao mesmo tempo que o mercado de língua inglesa.

Solar, como o título pode indiciar, trata de um assunto que assusta o planeta, mas não abandona um tema tradicional e caro a McEwan. O primeiro caso são as alterações climáticas. O segundo, as dificuldades de relacionamento entre pessoas, designadamente entre marido e mulher.

O protagonista do volume é Michael Beard, um Prémio Nobel da Física - com um físico gorducho -, que sofre com a ausência de amor e se vinga em casos extraconjugais. O protagonista é-nos introduzido de um modo caricato, mas não as propostas de âmbito climático, ou não sugiram a energia nuclear como uma solução energética para combater o aquecimento global do planeta.

Tal como critica o modo como (des)funcionam as relações emocionais, Solar preocupa-se em desmontar as teses de Michael Beard, o cientista que pretende usar teorias de Albert Einstein como trampolim para soluções revolucionárias para os novos tempos.

Fracassado o casamento, Beard deseja salvar alguma coisa e essa coisa é a Terra. Os cenários por onde o texto passa são vários, desde o gelado Árctico ao tórrido deserto do Novo México, e Ian McEwan desembaraça-se numa temática que desde a Conferência de Copenhaga está na linha da frente das preocupações da humanidade.

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João Gobern

País com poetas

Há muito para elogiar nos que, sem perspectivas de lucro imediato, de retorno garantido, de negócio fácil, sabem aproveitar - e reciclar - o património acumulado noutras eras. Ora, numa fase em que a Poesia se reergue, muitas vezes por vias "alternativas", de esquecimentos e atropelos, merece inteiro destaque a iniciativa da editora Valentim de Carvalho, que decidiu regressar, em edições "revistas e aumentadas", ao seu magnífico espólio de gravações de poetas. Originalmente, na colecção publicada entre 1959 e 1975, o desafio era grande - cabia aos autores a responsabilidade de dizerem as suas próprias criações, acabando por personalizá-las ainda mais, injectando sangue próprio às palavras que já antes tinham posto ao nosso dispor.