"Chiquinho" é "obra fundadora da literatura cabo-verdiana"

O romance "Chiquinho", publicado pelo já falecido escritor cabo-verdiano Baltasar Lopes da Silva, constitui "a obra fundadora da literatura" de Cabo Verde, defende o tradutor italiano Vincenzo Barca.

Segundo o professor, que traduziu para italiano a obra publicada pela primeira vez em 1947 e que é alvo de estudo no ensino secundário em Cabo Verde, em "Chiquinho", Baltasar Lopes da Silva "apresenta uma espécie de súmula de toda a cultura cabo-verdiana".

 Vincenzo Barca é professor de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa na Universidade de Roma III e está em Cabo Verde a participar na conferência ""A Herança de Chiquinho: Com os Pés Fincados em Itália", para homenagear o autor cabo-verdiano, nascido em Caleijão, ilha de São Nicolau, a 23 de Abril de 1907, e que faleceu a 28 de Maio de 1989 em Lisboa.

Baltasar Lopes da Silva foi, com Manuel Lopes e Jorge Barbosa, fundador da revista Claridade, tendo usado, nalguns dos seus poemas - também foi poeta - o pseudónimo Osvaldo Alcântara.

 "O nome de Baltasar Lopes da Silva é incontornável na literatura, cultura e educação de Cabo Verde. Escritor, poeta, linguista e ensaísta, foi um homem da escrita que revolucionou a sua época com o seu multifacetado talento", disse Vincenzo Barca, que já traduziu para italiano muitos dos autores de Língua Portuguesa.

Venerado em Cabo Verde, onde é nome de rua e de escola, o escritor cabo-verdiano foi, em 1957, o primeiro dar conta da existência de vários dialectos crioulos no arquipélago.

 "O Dialecto Crioulo de Cabo Verde" foi publicado naquele ano pela Imprensa Nacional e algumas das anotações são ainda hoje actuais, como ficou recentemente comprovado nas discussões para a oficialização da Língua Cabo-Verdiana, entretanto suspensas no Parlamento face às divergências quanto à necessária unificação.

A conferência foi organizada pela Universidade de Cabo Verde (UNI-CV), em colaboração com as organizações não governamentais Maré Caela (italiana) e Tabanklaonlus (cabo-verdiana), e vai decorrer também em São Vicente e São Nicolau.

Segundo Maria de Lourdes de Jesus, antiga emigrante cabo-verdiana em Itália, onde chegou a ser apresentadora de televisão, a iniciativa enquadrou-se nas comemorações dos 550 anos da descoberta do arquipélago e dos 35 anos da independência de Cabo Verde.

"É também a forma de assinalar os 103 anos do nascimento de Baltasar Lopes da Silva, que se comemora a 23 de Abril, Dia do Professor Cabo-Verdiano", ressalvou.

A efeméride foi institucionalizada precisamente em homenagem ao escritor que foi professor de várias gerações de cabo-verdianos.


 

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