Alda Espírito Santo era a voz feminina de São Tomé e Príncipe

A escritora foi uma  figura emblemática da luta pela independência do país e é a autora do hino nacional. Morreu aos 82 anos

"Perde a literatura de língua portuguesa uma grande figura e perdemos todos no campo dos afectos", disse o escritor angolano Pepetela a propósito da morte da são-tomense Alda Espírito Santo, falecida esta terça-feira, aos 82 anos, em Luanda, onde residia.

Nascida em Abril de 1926, Alda Espírito Santo, também conhecida por Alda Graça, foi educada em Portugal e é uma figura emblemática da luta pela independência de São Tomé e Príncipe. Foi pela causa nacionalista que interrompeu os estudos universitários. Depois da independência, manteve-se como destacada figura política, desempenhando cargos de ministra (Educação, Cultura e Informação), de deputada e de presidente da Assembleia Municipal. Foi ainda presidente do Fórum das Mulheres são-tomenses e da União de Escritores e Artistas do país.

O primeiro-ministro de São Tomé, Rafael Branco, sublinhou "a sua verticalidade, a coerência, a coragem", considerando que a poetisa constitui uma "referência incontornável dos grandes valores que estiveram na origem da luta do povo são-tomense pela liberdade e pelo progresso social". Em sua homenagem, o país decretou cinco dias de luto nacional.

Pepetela recorda a autora do hino nacional de São Tomé como alguém que "através da sua poesia" soube "apontar o caminho aos mais novos": "O caminho da luta, da dignidade dos povos, da independência." Depois de publicar O Jogral das Ilhas, em 1976, editou em 1978 É Nosso o Solo Sagrado da Terra, o seu trabalho mais importante. "A sua poesia teve importância em todo o movimento anticolonial e em todos os países de expressão portuguesa", recordou o poeta Manuel Alegre. Todos os anos, desde a independência de São Tomé e Príncipe, uma voz feminina recita Trindade, poema com que a escritora imortalizou o massacre de 1953.

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